Todos os anos, o debate ressurge: Durante quanto tempo deve uma maratona poder bloquear as ruas da cidade? Agora, a Maratona de Valência deu um passo firme em direção a um meio-termo.
Na edição deste ano, os corredores que não tivessem completado os 40 quilómetros em 5h30m, foram desviados do percurso oficial. As ruas foram reabertas, a equipa médica e os voluntários foram libertados e os corredores do final do pelotão correram nos passeios. Durante anos, o tempo limite em Valência foi de seis horas, mas neste ano, a Organização reduziu-o para otimizar a logística e diminuir os encerramentos das ruas.
Valência não foi a única a tomar esta decisão. Diversas grandes maratonas na China e na Coreia do Sul impõem limites ainda mais rigorosos, às vezes reabrindo as ruas, cinco horas após o tiro de partida. Isso não significa que os corredores sejam desclassificados da prova. Em Valência, a linha de meta permaneceu aberta, então os corredores ainda poderam completar a prova, mas tiveram de fazê-lo em passeios e vias compartilhadas, e sem apoio no percurso.
Em contraste, a maioria das maratonas norte-americanas mantém tempos limite muito mais generosos. Grandes eventos como a Maratona de Nova York e a Maratona de Londres permitem até oito horas. Mesmo assim, os corredores que ficarem para trás podem ser solicitados a deslocarem-se para os passeios, enquanto a área de chegada permanece aberta. Com 12 horas, a Maratona de Honolulu, conhecida por atrair turistas e corredores populares, tem um dos limites mais longos.
O diretor da Maratona de Toronto, Alan Brookes, afirma que tempos limite mais curtos fazem sentido, mas apenas em contextos específicos. “Maratonas diferentes têm necessidades e benefícios diferentes. Corridas europeias como Valência e Berlim têm percursos rápidos que atraem corredores de todo o mundo que vêm especificamente para obter um tempo rápido.”
Brookes acrescenta. “Uma maratona tem o privilégio de ocupar esse espaço por um determinado período de tempo, e esse tempo precisa de ser negociado.”
Ele acredita que a questão não é simplesmente quanto tempo devem ter os corredores para terminar a prova, mas sim como as cidades podem equilibrar o encerramento das ruas com os significativos benefícios financeiros e culturais proporcionados por essas grandes provas.
