Após quase duas décadas de supremacia no sprint, a jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce anunciou oficialmente a sua retirada da alta competição.
“Nos últimos 18 anos, o tempo até ao último milissegundo,– tem sido o epicentro da minha vida”, escreveu Fraser-Pryce numa mensagem no Instagram . “O tempo tem sido a medida, o teste e a recompensa. Cada dia de treino, cada uma das minhas 275 corridas, cada passo até à linha de partida, foi a minha própria busca, não apenas para utilizar o tempo concedido, mas também para torná-lo meu. Durante quase duas décadas, fiz cada segundo valer a pena e dou a Deus toda a glória por me abençoar com uma carreira em algo que aprendi a amar tão profundamente.”
Aos 38 anos, Fraser-Pryce é dona de um grande curriculum desportivo: dez títulos mundiais, incluindo cinco nos 100 m (2009, 2013, 2015, 2019 e 2022), oito medalhas olímpicas, duas de ouro em 2008 e 2012 e cinco vitórias na final da Liga Diamante.
Uma carreira inacreditável
A carreira de Fraser-Pryce começou em Pequim 2008, quando se tornou a primeira mulher caribenha a conquistar o ouro olímpico nos 100 m; em Londres 2012, tornou-se apenas a terceira mulher na história a defender com sucesso o seu título olímpico nos 100 m. No Campeonato Mundial de 2013, em Moscovo, tornou-se a primeira mulher a conquistar o ouro nos 100 m/200 m e nos 4×100 m.
No Campeonato Mundial de 2022 em Eugene, quando tinha 35 anos, Fraser-Pryce conquistou o ouro nos 100 m e tornou-se a sprinter mais velha a ganhar um título mundial.
Ela lutou contra as lesões em 2023, embora ainda tenha conquistado o bronze no Campeonato Mundial e contribuído para a conquista da medalha de prata nos 4×100 m. Ela anunciou que Paris seria os seus últimos Jogos Olímpicos; a sua campanha foi interrompida devido a outra lesão que surgiu durante o aquecimento para a meia-final dos 100 m.
O Mundial de Tóquio, marcou a última aparição de Fraser-Pryce nas pistas. Ela terminou em sexto lugar na final dos 100 m e coroou a sua carreira com a prata na estafeta 4×100 m.
“Aos meus compatriotas jamaicanos, obrigada pelo amor inabalável, pela lealdade e pelo orgulho que me impulsionaram ano após ano”, escreveu ela. “Foi a maior honra carregar a nossa bandeira pelo mundo. Podemos ser pequenos mas somos poderosos, e sinto-me honrada por ter representado a força da nossa nação com paixão no cenário global.”
Além das pistas, ela criou a Pocket Rocket Foundation para apoiar estudantes-atletas e, durante a pandemia do Covid-19, ela forneceu computadores e tablets para ajudar crianças a acessar ao ensino online. A UNICEF Jamaica reconheceu-a como Embaixadora Nacional da Boa Vontade pelas suas conquistas no atletismo e por defender os direitos das crianças.
“Sei que a minha corrida não acabou; é apenas uma mudança de faixa”, escreveu ela. “Este novo capítulo é sobre transmitir as lições que o atletismo me ensinou, usando a minha voz para defender os outros e ajudar a próxima geração a brilhar ainda mais. A corrida deu -me um palco global, mas a fé dá-me uma missão maior.”

