Sofia Roquete/ A Rocket Girl que é penta campeã nacional de Ultra Trail Endurance

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Sofia Roquete é aos 37 anos, uma das melhores atletas nacionais do Trail. É penta campeã nacional de Ultra Trail Endurance e campeã do Circuito Ultra Trail. Atleta do AMCF-Arrábida Trail Team, já representou Portugal em três Mundiais de Trail e vai estar também no Mundial deste ano que se realiza no nosso país.

Sofia Roquete tem 37 anos e é natural de Lisboa. Terapeuta num Spa, é hoje uma da atletas mais conhecidas do trail nacional, com um rico curriculum. Medindo apenas 1,53 m, é um bom exemplo em como o talento não se mede pela altura.

Sofia RoqueteEm menina, sonhava ser patinadora. A paixão pelo desporto surgiu desde cedo. “Estava sempre agarrada a uma bola durante os intervalos da escola, ora nas mãos ora nos pés”. Mais tarde, depois do nascimento das suas duas filhas, regressou ao ginásio. O atletismo só apareceu há nove anos quando a sua irmã, que fazia o Troféu das Localidades de Cascais, a desafiou para participar na Corrida do Destak. Sofia só tinha a preparação do ginásio e umas corridas na passadeira mas decidiu aceitar o desafio. Terminou os 10 km em 62 minutos e nos dias seguintes, mal conseguia caminhar. Mas três semanas depois, já estava a correr outra prova na mesma distância em 59 minutos.

“No Trail, a preparação física é muscularmente muito mais exigente”

Atleta de Ultra Trails

Nem sempre lhe é fácil conciliar os treinos e corridas com a sua atividade profissional e a família, mais agora porque está a frequentar um curso noturno na área da osteopatia. Vale a sua boa vontade e boa planificação da vida pessoal e profissional.

Há mais de dois anos que se dedica exclusivamente ao trail. Antes, ainda correu três maratonas de estrada. A primeira foi em Badajoz, com um tempo final de 4h15m59s, “debaixo de um temporal e com um overtrainning, que me demorou uns seis meses a recuperar”.

sofia 8Iniciou-se no trail em 2013 e em Janeiro do ano seguinte, estreou-se no primeiro Ultra ao correr os 42 km do Trail dos Abutres. Atualmente, é atleta do AMCF-Arrábida Trail Team e Nuno Abílio da Árrabida Running Academy, é o seu treinador.Treina seis vezes por semana, sempre que possível acompanhada.

As suas provas preferidas têm como palco a serra da Lousã mas sempre gostou de conhecer novos locais e de participar em novas provas. Já quanto à prova que menos lhe agradou, deu-nos uma resposta curiosa: “Não gosto apenas quando o corpo não responde ao esforço”.

“O Trail é um outro mundo onde se respira natureza e exala superação”

“Rocket Girl” penta campeã nacional Ultra Trail Endurance

Sofia Roquete foi carinhosamente batizada pelos outros atletas do trail como a “Rocket Girl”, cognome que ela aceita de bom grado. Ultramaratonista, prefere provas com 100 ou mais quilómetros pois é onde as suas caraterísticas como atleta mais sobressaem, conforme os resultados já obtidos. Sofia Roquete sagrou-se no passado dia 30, penta campeã nacional Ultra Trail Endurance em prova de 105 km disputada no Marão. É ainda campeã do Circuito Ultra Trail, entre outros títulos nacionais.

O ano passado, participou em 17 trails. Destes, dez faziam parte do Circuito da ATRP, tendo vencido por sete vezes, sido segunda duas vezes e uma vez quarta. Este ano, já venceu o Ultra Trail da Lousã, o Ultra Trail de Conímbriga/Terras do Sicó e foi segunda nos Trilhos dos Reis.

sofia roquete 1Já representou Portugal nos Mundiais de Trail em 2016 (Gerês), 2017 (Itália) e 2018 (Espanha). No próximo mês de Junho, vai voltar a representar o país no Mundial de Trail que se realiza novamente no nosso país, nos Trilhos dos Abutres.

Conhecendo a estrada e sendo uma apaixonada pelo trail, encontra naturalmente muitas diferenças. “No trail, a preparação física é muscularmente muito mais exigente. É necessário ser forte na resistência, até o atleta considerado melhor do mundo caminha em algumas subidas. Para-se nos abastecimentos, corre-se de mochila… é um outro mundo onde se respira natureza e exala superação”.

“Acho sempre engraçado que uma pequena (eu) consiga chegar à frente de muitos homens que na estrada são tão rápidos”

Momento mais marcante da carreira

sofia roquete-madeiraCom tantos êxitos desportivos, considera-se uma atleta muito feliz. Como momento mais marcante da sua brilhante carreira, escolhe o quarto lugar obtido no MIUT 115 km (Madeira), prova do Circuito Mundial, onde foi a melhor portuguesa e é detentora do melhor tempo nacional feminino.

“Acho sempre engraçado que uma pequena (eu) consiga chegar à frente de muitos homens que na estrada são tão rápidos. Mas ali na montanha, a resistência e a boa gestão de prova, prevalece à velocidade”.

Importância de um seguro médico

No mundo das corridas, aprecia particularmente “a nova família que se cria e as amizades”. Sendo ainda uma jovem e com tantos triunfos obtidos, Sofia Roquete pensa correr “até o corpo permitir e a cabeça desejar”. Apesar de correr longas distâncias, não tem sido muito visitada pelas lesões, apenas uma fratura de stress, uma entorse e pouco mais.

Considera importante ter um seguro médico pois sem ele, “é complicado esperar dois meses por consultas na médica de família e fazê-la perceber que preciso de dados específicos para avaliar a minha “performance” (ex: magnésio, ácido fólico, ferritina)”.

Quanto à alimentação, confessa que não tem tido muitos cuidados mas garante que tal vai mudar porque vai passar a ser seguida por um nutricionista.

Projetos futuros no Trail

sofia roquete 5Sofia gostava de mais apoios que permitissem aos atletas deixarem os seus empregos e dedicarem-se totalmente a 100% ao trail. Os seus projetos futuros passam por tentar conseguir apoios que lhe permitam competir nos circuitos internacionais. A verdade é que pelo menos em Portugal, os melhores atletas do trail não têm ainda um estatuto semelhante aos atletas de elite da pista ou estrada.

 

À atenção das Organizações

Quanto a sugestões para uma melhor organização das provas, pede para que as Organizações se coloquem no lugar dos atletas, como gostariam de ser recebidos enquanto tal. Ainda, prémios para os vencedores sem descriminar os vencedores femininos e fazer escalões iguais para homens e mulheres.

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