Tommie Smith: “Um punho é um punho e ressoa em todo o mundo”

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O campeão olímpico dos 200 metros em 1968, protagonista do ‘Black Power’, primeiro grande gesto no desporto pelos direitos dos negros, garante que “a mudança está a caminho”.

Tommie Smith, de 76 anos, faz parte da história viva da luta dos direitos das pessoas de raça negra de todo o mundo. O seu gesto e do compatriota John Carlos (medalha de bronze) no pódio dos 200 metros nos Jogos Olímpicos do México 1968, descalços e com o punho erguido, enfiado numa luva negra, enquanto tocava o hino dos Estados Unidos, converteu-se num ícone da luta racial de então.

Tommie Smith e John Carlos marcaram um antes e um depois nesta luta e agora, o primeiro reconhece que “a mudança está chegando”.

52 anos depois de protagonizar aquele gesto, Tommie Smith desafiou as estrelas do desporto de hoje. Numa grande entrevista dada à BBC Sport, Tommie Smith afirmou: “Não podem ter medo em pôr-mo-nos em pé de guerra se o acreditam do coração. Não esperem para levar a cabo algo que possa fazer-se hoje”.

Gestos como os 22 jogadores e o corpo técnico de jogos de futebol da Liga inglesa, posando com o joelho dobrado na relva ou comemorações de golos na Bundesliga alemã como a de Jadon Sancho do Borussia Dortmund, deixaram satisfeito Tommie Smith que reafirma a importância da implicação das grandes estrelas do desporto.

Em declarações à BBC Sport, Tommie Smith recuou 52 anos e afirmou: “Um punho é um punho. Ressoa em todo o mundo. Significa poder, orgulho e fé. Foi o meu grito pela liberdade em 1968”.

O assassínio de George Floyd de 46 anos, em Minneapolis, no passado mês de Maio, foi o catalisador de protestos em todo o mundo e o ex-medalha de ouro em 1968 assegura que era “surrealista” ver as mesmas imagens que presenciou quando crescia nos Estados Unidos antes dos direitos civis.

Smith garante que está satisfeito com o movimento “Black lives matter” que surgiu depois da morte violenta de George Floyd e principalmente, com o elevado número de estrelas atuais do desporto que utilizam a sua plataforma para exigir mudanças.

“Aproxima-se a mudança e a mudança dá-se de uma maneira que deveria ter sucedido há muito tempo. Estamos entrando numa era em que o mundo mudará porque haverá mais pessoas com mais coisas a dizer. Com as redes sociais, as pessoas podem ver toda a verdade, não apenas uma visão unilateral. A tecnologia que temos agora deverá jogar um papel importante”, acredita Smith.

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