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Home Running Atleta do Pelotão

Tony Calvo/Atleta todo o terreno, dos 800 m à maratona

Manuel Sequeira by Manuel Sequeira
2026-10-01
in Atleta do Pelotão, Destaque, Entrevista, Running
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Tony Calvo/Atleta todo o terreno, dos 800 m à maratona
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Tony Calvo tem 45 anos e é atleta da Escola do Movimento. Os 10 km na estrada e os 800 m na pista merecem a sua preferência. Já se sagrou pelo clube, campeão nacional de Pista Coberta da 2ª Divisão.

Tony Calvo nasceu na Austrália e tem 45 anos. É professor de Educação Física e treinador de atletismo. O atletismo sempre fez parte da sua vida. Primeiro, através do Desporto Escolar, tendo participado em corta-matos e provas de pista. Seguiu-se uma passagem pelas corridas de velocidade, entre os 24 e os 30 anos e depois, dedicou-se às corridas de fundo e meio-fundo.

Treinos à hora de almoço ou já bem de noite

Não tem sido fácil a Tony Calvo conciliar os treinos e corridas com a sua atividade profissional. “É difícil, principalmente porque tenho duas filhas pequenas. Muitas vezes, acordo cedo para treinar; outras vezes, treino à hora de almoço e por vezes já à noite, depois de estarem todos a dormir. Ao fim de semana, tenho mais tempo, para fazer treinos mais longos e para competir”.

Tony Calvo representa atualmente a Escola do Movimento, clube sediado no Porto. Treina 5 a 6 vezes por semana, sempre sozinho.

Tem o seu próprio plano de treino, planeado por si, já que é profissional da área. Desde que faz meio-fundo e fundo, foi sempre o seu próprio treinador.

“As provas de estrada são mais longas, temos o público mais próximo e temos muito mais tempo para desfrutar da corrida”

Estreia na estrada em Mirandela

Estreou-se nas provas de estrada numa meia maratona em Mirandela. “Fui muito cauteloso no inicio, e progredindo no ritmo ao longo da prova, fiz um tempo muito modesto. Mas tive boas sensações, gostei da prova e fiquei com vontade de repetir”.

Tony Calvo corre em média, 15 provas por ano e a Meia Maratona do Porto é a sua prova preferida. Já a prova que menos gostou de participar foi a São Silvestre de Amares. “Tem um percurso muito exigente, com pouca luz e com muito paralelo”.

Já experimentou o trail. “Sim, já experimentei, fiz por duas vezes o Trail do Liz, em Vila Flor. Gostei bastante, tem um percurso agradável, com zonas muito técnicas, mas também zonas com caminhos, que dá para correr mais rápido. Gostei da experiência, mas vou-me manter na estrada e pista”.

Dos 800 m na pista à Maratona do Porto

Tony Calvo gosta muito de correr 800 m na pista, “são provas onde posso correr rápido”. Já na estrada, a sua distância preferida passa pelos dez quilómetros. “As provas de estrada são mais longas, temos o público mais próximo e temos muito mais tempo para desfrutar da corrida”.

Já se estreou nos míticos 42.195 metros. “Já corri por duas vezes a Maratona do Porto. Tenho muito respeito pela distância, por isso preparei-me bem para aquilo que queria fazer. Mais uma vez, parti muito cauteloso e fui gerindo o ritmo ao longo da prova. Passei à meia numa 1h20m e fiz a segunda metade em menos dois minutos que a primeira, terminei com vontade de repetir”.

“Vejo ainda muita falta de organização e principalmente, de meios humanos qualificados para a correta orientação e encaminhamento dos mais jovens”

Momento alto da carreira: Campeão nacional de Pista Coberta da 2ª Divisão

Foi em 2014 que Tony Calvo viveu o momento mais alto da sua carreira desportiva. “Quando a Escola do Movimento, equipa que fazia e faço parte, se sagrou campeã nacional de Pista Coberta da 2ª Divisão. Na altura, corri os 800 m e 1.500 m, ajudando assim a equipa a chegar ao referido título”.

Algumas lesões leves e cuidado com a alimentação

Faz esporadicamente exames médicos de rotina. Quanto a lesões, já teve algumas micro-roturas nos músculos posteriores da coxa. Na época passada, teve ainda uma tendinite no tendão de Aquiles.
Tem os devidos cuidados com a alimentação, evitando os fritos, gorduras e alimentos processados.

Atletismo tem evoluído mas há muito a melhorar

Para Tony Calvo, o atletismo em Portugal tem evoluído bastante. “Principalmente nas disciplinas mais técnicas. No entanto, vejo ainda muita falta de organização e principalmente, de meios humanos qualificados para a correta orientação e encaminhamento dos mais jovens. Vai demorar muito até que melhorem nos referidos aspetos”.

Para uma melhor organização das provas, defende a criação de mais zonas de partida por tempos. “Para que seja possível, mesmo aos atletas populares, àqueles que têm mais qualidade, partirem numa posição mais vantajosa”.

Quando os grandes atletas desafiam os seus limites

No mundo das corridas, Tony Calvo aprecia particularmente ver os grandes atletas desafiarem os seus limites. “É impressionante a capacidade que o organismo tem de assimilar a carga, criar adaptações à mesma, e permitir que um ser humano corra durante tanto tempo, cada vez mais rápido, o que tem permitido a realização de feitos extraordinários”.

Projetos futuros na modalidade

Os seus projetos futuros passam por manter-se ativo na modalidade, como atleta e treinador, essencialmente de atletas populares, do fundo.

Pensa correr enquanto puder e se não estivesse no atletismo, talvez tivesse seguido o judo.

Lançado ao chão em choque frontal na Volta a Paranhos

Quanto a histórias curiosas, lembra-nos uma passada na Volta a Paranhos. “Por volta do segundo quilómetro junto ao cemitério de Paranhos, no momento em que faço uma curva apertada, sem visibilidade, vem uma senhora lançada em sentido oposto, que choca de frente comigo e me atira ao chão. Quando me levanto, ainda me pergunta: ‘a corrida já começou, é que eu vinha para participar?’”.

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