Para além da programação sem precedentes do atletismo nos JO de Los Angeles, com a final dos 100 m femininos no primeiro dia, já surgiram fortes criticas ao calendário dos 400 m e 400 m barreiras femininos. Tudo porque a norte-americana Sydney McLaughlin-Levrone não poderá, pelo menos por enquanto, competir nas duas provas.
A atleta, bicampeã olímpica dos 400 m barreiras (2021, 2024) e campeã mundial dos 400 m (2025), queria conquistar os dois títulos em Los Angeles, cidade onde treina há vários anos sob a orientação do lendário Bob Kersee.
Mas as datas das provas de 400 m e 400 m barreiras femininos sobrepõem-se, tornando a dobradinha praticamente impossível. O calendário publicado obrigaria a recordista mundial dos 400 m barreiras a correr ambas as provas no mesmo dia, com a final dos 400 m e as meias-finais dos 400 m barreiras programadas para a mesma sessão.
Eis como seria a programação atual de McLaughlin-Levrone se corresse as duas provas:
Sábado, 15 de julho:
– 400 m, eliminatórias (sessão da noite)
Terça-feira, 18 de julho:
– 400 m barreiras, eliminatórias (sessão da manhã) – 400 m, meias-finais (sessão da noite)
Quinta-feira, 20 de julho:
– 400 m barreiras, meias-finais (sessão da noite)
– 400 m, final (sessão da noite)
Sábado, 22 de julho:
– 400 m barreiras, final (sessão da noite)
O treinador da atleta, Bob Kersee afirmou que era “uma perda para o mundo” que McLaughlin-Levrone não pudesse tentar a dobradinha nos 400 m/400 m barreiras, ou mesmo o seu “Plano B“, a dobradinha nos 400 m barreiras/200 m. “Ela conseguiria”, argumentou Kersee. “Ela já provou que consegue. Ela é perfeitamente capaz. Então, por que não lhe dar a oportunidade?”
Somos uma modalidade que luta por atenção”, continuou ele.“Então, por que tomar uma decisão como esta? Isto demonstra a fragilidade da nossa modalidade. Temos estrelas, mas não temos apoio da cúpula.”
A World Athletics, que desenvolveu o programa em conjunto com o Comité Organizador de Los Angeles 2028 e consultou inúmeros atletas, principalmente em relação ao programa dos 100 m femininos, sabe do potencial de McLaughlin-Levrone. Além disso, priorizou uma série de provas de duplas (100 m/200 m, 800 m/1.500 m, 1.500 m/5.000 m, 5.000 m/10.000 m, salto em comprimento/triplo salto).
Noutros momentos, a Federação Internacional já adaptou o calendário para grandes atletas: Michael Johnson na sua dobradinha (vitória) nos 200 m e 400 m em 1996, Allyson Felix também fez o pedido em 2016, com o apoio da Federação norte-americana, mas acabou por não se classificar para os 200 m além dos 400 m.
Se McLaughlin-Levrone fizesse um pedido formal, seria necessário alterar o calendário. No entanto, a atleta é também uma das atletas mais discretas do circuito e sempre se mostra relutante em revelar os seus planos com antecedência. Este ano, ela esperou até algumas semanas antes do Campeonato Mundial de Tóquio para anunciar que competiria apenas nos 400 m. Uma dobradinha também era difícil de alcançar nessa prova, e ela não fez um pedido formal.
Para Los Angeles, ela deveria tomar a iniciativa com bastante antecedência para solicitar uma mudança.

