O presidente da Rússia, Vladimir Putin, aprovou uma lei que alinha mais estreitamente o sistema antidoping do país com os padrões internacionais estabelecidos pela Agência Mundial Antidoping (WADA).
A legislação estabelece formalmente a Agência Antidoping Russa (RUSADA) dentro do sistema de cultura física e desporto do país e exige que a organização cumpra o Código da WADA.
Segundo a lei, a RUSADA deve publicar no seu site, todas as regras e regulamentos antidoping aprovados pela WADA e outras organizações internacionais antidoping.
A legislação exige ainda que a prevenção e a aplicação das normas antidoping sejam conduzidas em conformidade com as obrigações da Rússia decorrentes de tratados internacionais, bem como com o Código da WADA, os regulamentos antidoping internacionais e as normas antidoping nacionais do país.
A lei estabelece que os regulamentos antidoping da Rússia devem incorporar as disposições contidas no Código da WADA. Federações desportivas nacionais e regionais, bem como ligas desportivas profissionais, também serão obrigadas a cumprir os regulamentos antidoping.
A Rússia foi declarada não-conforme pela WADA após anos de investigações sobre o doping sistemático e tentativas de ocultar violações antidoping. O jornalismo investigativo do canal de televisão alemão ARD foi crucial na época. Assim como os jornais britânicos The Guardian e The Sunday Times, além de outros veículos de comunicação. Também, as evidências fornecidas pelo ex-diretor do laboratório de Moscovo, Dr. Grigory Rodchenkov, e pelos denunciantes Yuliya e Vitaly Stepanov, desempenharam papéis importantes na exposição do escândalo.
As preocupações em redor do atletismo russo intensificaram-se após os JO de Londres de 2012. Reanálises subsequentes de amostras coletadas durante os Jogos revelaram inúmeras violações antidoping envolvendo atletas de diversas nações, incluindo a Rússia.
Em dezembro de 2014, a ARD exibiu o documentário Geheimsache Doping: Wie Russland seine Sieger macht (“O Segredo do Doping: Como a Rússia cria campeões”). O documentário trouxe à tona, para o público internacional, alegações de doping sistemático no desporto russo.
As suspensões
Em novembro de 2015, a IAAF, agora World Athletics, suspendeu a Federação Russa de Atletismo. Tal impediu, na prática, que os atletas russos participassem em competições internacionais.
O Relatório McLaren de 2016 alegou manipulação estatal dos sistemas antidoping em várias modalidades. Tal, levou a sanções mais amplas que afetaram a participação russa em eventos olímpicos e internacionais.
O Relatório McLaren de 2016 alegou manipulação estatal dos sistemas antidoping em várias modalidades. Tal, levou a sanções mais amplas que afetaram a participação russa em eventos olímpicos e internacionais.
A partir de 2019, a WADA impôs sanções adicionais após determinar que os dados do laboratório antidoping de Moscovo tinham sido manipulados.
Posteriormente, alguns atletas russos competiram como atletas neutros, sem a bandeira ou o hino da Rússia, e sob protocolos de testes antidoping reforçados.
A invasão da Ucrânia
Independentemente das sanções antidoping, muitas federações desportivas internacionais restringem atualmente a participação de atletas russos, devido à invasão da Ucrânia pela Rússia. As medidas resultantes variam conforme a modalidade e a entidade reguladora, com alguns atletas a continuarem a competir sob o estatuto de neutros.

