Atletas da delegação de refugiados : “Sentimo-nos seres humanos de novo”

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Dois atletas da delegação olímpica de refugiados falaram ao jornal espanhol AS. Ibrahim al Hussein, atleta de natação sírio e Yonas Kinde, maratonista da Etiópia levaram uma vida complicada para conseguirem chegar aos Jogos Olímpicos Rio2016.

Sentimo-nos seres humanos de novo. Ninguém se quer tornar um pária, longe de seu país e da família ou viver temporariamente num campo, sem condições. Mas essa foi a nossa realidade e isso é a realidade de milhões de pessoas que escaparam de vários horrores“.

Em representação da delegação de refugiados, os dois atletas receberam o Prémio Direitos Humanos, pelo Conselho Geral de Advogados Espanhóis.

Al Hussein tem agora 28 anos mas fugiu da Síria com 23. Concorreu pelos Paraolímpicos depois de uma bomba ter cortada parte da sua perna direita. “Estávamos quatro amigos a tentar ajudar outro que tinha levado com uma bala no peito. Ele não sobreviveu e uma explosão amputou uma porção do corpo dos quatro.”

Agora está estabelecido em Atenas, trabalha como empregado num restaurante e treina de manhã. “Para já, os meus objetivos é ir aos Jogos Paraolímpicos Mundiais em 2017 e aos Jogos de Tóquio. A nível pessoal quero assentar-me com a minha família na Grécia.”

Yonas, com 36 anos, saiu da Etiópia em 2012 com medo da guerra. “Eu não podia trabalhar nem dedicar-me profissionalmente ao atletismo”.

Quando chegou ao Luxemburgo, achava que estava na Alemanha e demorou uma semana a tomar conta da realidade. É fisioterapeuta e fala Inglês e Francês porque “sentiu a necessidade de se adaptar”. Quando soube que ia poder correr a maratona no Rio de Janeiro sobre a bandeira independente dos refugiados estava no autocarro e “eu saltei como um louco.” Foi o mais velho participante do grupo de dez refugiados.

Para o futuro está “Tokio 2020 e a cidadania Luxemburguesa” mas acima de tudo deixou um recado para os que se encontram na situação em que ele mesmo se encontrava antes de fugir.

“Nós somos a esperança de 65 milhões de refugiados. Eu aconselho aos que estão em más condições a agir. Devemos acreditar e lutar pelas nossas vidas”.

 

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