A World Athletics e a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) mostram-se implacáveis com um grande escândalo de manipulação de idade que pode afetar os resultados e medalhas de dezenas de atletas juniores.
A World Athletics revelou que cinco recordes mundiais Sub-20 estabelecidos entre 2023 e 2024 pelos atletas etíopes Birke Haylom, Melknat Wudu e Medina Eisa não serão ratificados depois da AIU ter encontrado evidências de falsificação da idade.
Medina Eisa, três vezes medalhada Sub-20 e duas vezes campeã mundial Sub-20, teve adulterada a sua data de nascimento no seu passaporte. De acordo com a AIU, Eisa e a sua Federação haviam registado a sua data de nascimento como 3 de janeiro de 2005. Os investigadores concluíram que ela nasceu sim, em 17 de outubro de 2002, sendo três anos mais velha do que a data que constava no seu passaporte.
Tal significa que Eisa não podia ter competir nos Campeonatos Mundiais Sub-20 de 2022 e 2024, onde conquistou duas medalhas de ouro nos 5.000 m.
A AIU encontrou um problema semelhante no caso de Birke Haylom, ex-campeã mundial Sub-20 nos 1.500 m. O seu passaporte indicava a data de nascimento de 6 de janeiro de 2006, mas os investigadores afirmam ter provas de que ela é vários anos mais velha.
Melknat Wudu diz que nasceu em 3 de janeiro de 2005. Ela ganhou a medalha de bronze nos 5.000 m dos Jogos Africanos de 2023.
Em fevereiro de 2024, ela estabeleceu um novo recorde mundial Sub-20 nos 3.000 m em pista curta. Recorde que a World Athetics não ratificou agora.
Para competir no Campeonato Mundial Sub-20, a atleta precisa apresentar um documento de identificação à sua Federação Nacional comprovando que tem 19 anos ou menos. De acordo com os dados da AIU, Eisa tinha 22 anos quando conquistou o título dos 5.000 m no Campeonato de 2024, sendo três anos mais velha do que o permitido.
A manipulação da idade não é um conceito novo no atletismo, especialmente em partes da África Oriental. De acordo com uma fonte ligada ao atletismo etíope, a AIU iniciou recentemente uma investigação mais ampla no Quénia, Etiópia e Nigéria, com o objetivo de garantir uma competição justa antes do Campeonato Mundial Sub-20 em Eugene, entre 5 e 9 de agosto deste ano.
No mês passado, um jornal nigeriano noticiou que a AIU solicitou certidões de nascimento e outros comprovantes à sua Federação Nacional como parte de uma investigação, após ter sido constatado que mais de 15 atletas que competiram no Campeonato Africano Sub-20 de 2025 em Abeokuta, na Nigéria, possuíam múltiplas datas de nascimento.
Uma fonte próxima ao atletismo africano afirmou que a responsabilidade nem sempre recai apenas sobre os atletas. “Às vezes, eles participam na batota, às vezes, são os adultos em redor que os forçam”, disse uma fonte anónima. “Eu não diria que a Federação Etíope de Atletismo é inocente. Eles podem ter tido um papel nisso e têm alguma responsabilidade por não divulgarem os resultados das competições locais ou juvenis, o que permite que alguns atletas compitam como juniores durante anos.”
A fonte afirmou que as lacunas nos registos nesses países, tornaram historicamente a idade dos atletas mais fácil de ser explorada. “Os registos de nascimento na África Oriental não são tão robustos quanto na Europa ou na América do Norte, o que abre espaço para a manipulação”, disse ela. “Essas federações veem a extensão da elegibilidade de um atleta no nível júnior como uma oportunidade para atrair mais financiamento e medalhas.”
Para os próprios atletas, o sucesso no escalão júnior também pode abrir portas para bolsas de estudo nos Estados Unidos, auxílios financeiros e oportunidades de patrocínio profissional com grandes marcas, como a Nike, Adidas e Asics.
Esta questão não se limita apenas à África Oriental. Em 2023, o sprinter dominicano Luguelin Santos, medalhado olímpico, foi suspenso por três anos após admitir que competiu acima do escalão permitido no Campeonato Mundial Júnior de 2012, onde venceu a prova dos 400 m.
De 2010 a 2017, Santos afirmou ter usado um passaporte com data de nascimento falsa após ter sido instruído pelas autoridades dominicanas a fazê-lo para competições, mantendo enquanto possuía um passaporte separado com a sua data de nascimento verdadeira.
A World Athletics e a AIU ainda não emitiram um comunicado detalhado sobre as três atletas etíopes, mas uma violação relacionada à manipulação da idade pode acarretar uma suspensão de dois a quatro anos.
De: Marley Dickinson


O próprio vigente recordista de Espanha de Maratona, lembro-me que quando ele ainda era benjamim chamava-se Tariku Novales Ordax e era nascido em 1999. Entretanto concluiu-se que a idade dele estava incorreta e mudou de data de nascimento para 08/03/1998 e mudou também de nome para Tariku Novales Quinteiro.