A participação das crianças em corridas mais longas

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No quarto artigo que publicamos sobre as crianças e o exercício físico, Turibio Barros avalia o caso da americana Keelan Glass, que completou a sua primeira meia maratona com seis anos: “O corpo dela não está preparado”.

A notícia de uma menina de seis anos que completou uma Meia Maratona em Dallas, nos Estados Unidos, causou espanto, surpresa e, sobretudo, muitas dúvidas. Será que o corpo de uma garota como a americana Keelan Glass, com apenas seis anos, está preparado para suportar uma corrida de 21 km? Com certeza que não está!

Uma criança nesta idade, tem inúmeras restrições para tolerar uma atividade física desta magnitude. Em primeiro lugar, o que já causa surpresa, é como a organização da prova permitiu a participação da menina. Será que não havia ninguém com um mínimo de bom senso para impedir que tamanha imprudência dos pais fosse coibida?

Uma criança de seis anos está num estágio de crescimento e desenvolvimento que apresenta uma total imaturidade do aparelho locomotor para este tipo de agressão. Com toda a certeza, correr 21 km irá provocar danos com consequências muito sérias que poderão comprometer a integridade, principalmente de ossos e articulações dos membros inferiores, com um prognóstico verdadeiramente tenebroso.

A atividade física para a criança tem que respeitar os seus limites e preservar a sua saúde, além de proporcionar diversão!

Por outro lado, do ponto de vista fisiológico, não existe uma maturação dos sistemas de produção de energia para tolerar uma demanda desta magnitude. As reservas de glicogénio, que é o “combustível” para a produção de energia, não são ainda suficientes nessa faixa etária para prover a demanda necessária. A solicitação imposta irá provocar uma mobilização anormal de proteínas como combustível, com repercussões muito sérias, até do ponto de vista de desequilíbrio hormonal.

A solicitação do coração numa situação como essa, é também absolutamente anormal e fica uma enorme preocupação de consequências futuras. Com certeza, o coração de uma criança de seis anos não está preparado para responder a esta solicitação. O que preocupa ainda mais é a possibilidade deste “feito” despertar o interesse de outras crianças repetirem esta imprudência. Cabe aos pais ter o bom senso de não expor os seus filhos a uma agressão como essa. Com certeza, uma ideia como essa não parte da criança.

Por trás desta proposta, há sempre a ambição de adultos que querem usar a criança para o seu próprio interesse pessoal. A atividade física para a criança tem que respeitar os seus limites e preservar a sua saúde, além de proporcionar diversão!

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