Atleta russo saíu do país com medo de represálias após novas denúncias à ARD

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O meio fundista russo Andrey Dmitriev saíu do seu país por temer represálias após denunciar mais práticas de doping no atletismo russo. O atleta encontra-se em lugar seguro longe da sua pátria, segundo a televisão pública alemã ARD, o canal que denunciou em primeiro lugar, o escândalo da prática do doping organizado na Rússia.

O atleta deu em Janeiro novas provas de doping na sua disciplina, numa entrevista à ARD. Nesse documentário, Dmitriev revelou imagens que mostram treinadores que foram suspensos do desporto a continuarem a exercer a profissão.

As gravações foram feitas em 12 de Janeiro e mostram Vladimir Kazarin, um dos treinadores que foram suspensos, trabalhando normalmente durante uma sessão de treinos do corredor Artem Denmukhametov num ginásio na cidade de Chelyabinsk. Dmitriev também alega ter visto Kazarin num local de treinos em Novembro último no Quirguistão.

“Dizem que estamos mudando, mas as pessoas ainda estão lá. Para mim isso é hipocrisia, estão mentindo, não há nenhuma mudança”, declarou Dmitriev à ARD.

Vladimir Kazarin é ex-treinador de Yuliya Stepanova, uma das delatoras do escândalo de doping no país e que hoje vive nos Estados Unidos, após ter fugido da Rússia por medo de sofrer retaliações, após ter fornecido provas que mais tarde levaram o país a ser suspenso de inúmeras competições internacionais.

Outra atleta que já foi treinada por Kazarin, é Mariya Savinova, campeã dos 800 m em Londres-2012 e que foi acusada por outros competidores de ter-se dopado antes da prova.

Dmitriev forneceu nomes de outros treinadores que segundo ele “não são capazes de trabalhar sem o auxílio do doping”.

As revelações vêm pouco antes da task-force da IAAF se pronunciar novamente sobre a situação russa. A Federação local (RusAF) procura ser readmitida na IAAF, mas frente a estas novas denúncias, pode ter que continuar a esperar.

Em resposta, a RusAF anunciou que irá apurar as denúncias e tomar as medidas cabíveis no caso de elas se confirmarem. A Agência Mundial Antidoping (WADA), através do investigador Günter Younger, afirmou à ARD que irá procurar meios de proteger a integridade de Dmitriev.

Após esta última denúncia, seguiram-se uma série de acusações e calúnias contra si, segundo contou Dmitriev. “Chamaram-me traidor e mentiroso e devo dizer,  inundaram-me de toneladas de merda”, denunciou. “Imediatamente após a entrevista, fui despedido nos centros de treino da minha cidade. No início, pensei que podia mudar algo. Mas quando vi a reacção de muitos russos, dei-me conta de que estava condenado ao fracasso”.

Dmitriev disse ainda que o exército nunca se tinha interessado por si mas que após a entrevista à ARD, tinha de repente militares à porta de sua casa. “Estou certo de que não foi uma casualidade. Devemos romper o silêncio ou caso contrario, a cultura do desporto russo nunca mudará”.

 

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