No passado fim de semana, a atleta transgénero Mar Vásquez, de 61 anos, foi terceira nos 3.000 m do Campeonato Galego de Pista Curta que teve lugar em Ourense.
Ela competiu na categoria masculina +60 com o tempo de 11.23,94, conseguindo os mínimos de qualificação para o Campeonato Espanhol de Masters.
Apesar de ter feito a transição de género, ela optou por competir com os homens por considerar essa a opção mais justa.
“Só quero que as pessoas me aplaudam quando eu subir ao pódio, não que me insultem”, declarou Mar Vásquez em entrevista ao jornal La Voz de Galicia.

Mar Vázquez, ex-membro da Guarda Civil, iniciou a sua transição aos 57 anos e passou por seis cirurgias. Devido à queda nos níveis de testosterona, ela sofreu uma perda significativa de massa muscular. Antes da transição, ele era vice-campeão mundial na categoria militar masculina e tinha um recorde pessoal de 2h22m à maratona.
Mar Vásquez sentiu-se sempre mulher e rejeitava-se antes da transição. Agora, ela tem o apoio da esposa, dos dois filhos e dos cinco netos. “Acho injusto competir contra mulheres, e é por isso que decidi competir contra homens. Como ex-atleta, tenho uma vantagem física, tanto muscular como orgânica. A minha capacidade pulmonar e cardíaca é muito superior à de uma mulher. E estou a provar isso”, disse Mar Vásquez.
Ela insiste que as mulheres que fazem a transição na idade adulta não deveriam competir em categorias femininas porque tinham níveis mais altos de testosterona no passado. “Ainda estou em terapia hormonal e quase que não tenho testosterona. Atualmente, tenho 0,07, enquanto os homens podem ter até 10,00.”
“Porque escolho competir contra homens? Porque os resultados falam por si. Neste fim de semana, fiquei em terceiro lugar no Campeonato Galego nos 3.000 m, uma disciplina que não se encaixa muito bem com os meus pontos fortes, eu destaco-me em distâncias maiores. Mas mesmo assim, ganhei o bronze. Se eu tivesse corrido com as mulheres, teria terminado em segundo lugar na classificação geral, não na minha categoria Master 60”, explicou Mar Vázquez.
Ela completou todas as etapas necessárias para a transição para o género feminino e treina há um ano. “Com mais tempo de treino, conseguirei tempos muito melhores. Se eu competisse contra mulheres, tenho a certeza de que poderia até bater recordes espanhóis ou europeus, mas esse não é meu objetivo.”
De: Cristina Parra

