Campeonato de Portugal com vários pontos altos

0
225

Embora com algumas falhas de primeiros planos, a 1ª jornada do Campeonato de Portugal ficou marcada por um bom conjunto de resultados, desde o duplo recorde dos campeonatos de Lorène Bazolo nos 60 m (7,32 e 7,30) às nada menos de cinco marcas a entrarem no top’6 nacional de sempre: Carlos Veiga (16,34 no triplo), Ancuiam Lopes (6,65 nos 60 m) e Miguel Carvalho (19.44,10 nos 5000 m marcha) são quartos; Tiago Pereira (16,30 no triplo) é quinto; e Edna Barros (12.48,51 nos 3000 m marcha) é sexta. E há ainda a assinalar o 18º título nacional de João Vieira na marcha (Ana Cabecinha já vai no 8º) e a excelente primeira jornada de Samuel Remédios no heptatlo, com o recorde nacional em vista.

Vejamos o que de mais relevante há a assinalar prova a prova:

MASCULINOS

60 metros: Um surpreendente Ancuiam Lopes está cada vez melhor, progredindo dos 6,68 feitos em França (onde reside) para 6,65, ganhando a final e subindo a quarto português de sempre, em igualdade com Arnaldo Abrantes. Já estivera muito bem na eliminatória (6,68). Carlos Nascimento, com 6,68 na eliminatória e 6,70 na final, foi segundo e o jovem Frederico Curvelo (6,78) o terceiro. David Lima (6º e último na final, com 6,86) continua longe do seu melhor e Yazaldes Nascimento (6,81 na eliminatória) e Diogo Antunes (6,84) faltaram à final.

400 metros: Vitória natural (e folgada) de Vítor Ricardo Santos (47,50), à frente de dois estrangeiros, o cabo-verdiano Jordim Andrade (48,42), do Sporting, e o cubano Raidal Acea (48,66), do Benfica. O vice-campeão nacional é o jovem Mauro Pereira, com um recorde pessoal de 48,70.

1500 metros: A série principal, ganha (em 3.52,03) pelo queniano Davis Kiplangat, uma semana depois de ganhar pelo Sporting na Taça dos Clubes Campeões Europeus de corta-mato, foi muito tática e o campeão de Portugal acabou por ser o vencedor da série secundária (a primeira a ser corrida), o ex-júnior do Benfica Miguel Mascarenhas, em 3.52,52, menos 56 centésimos que Nuno Pereira, segundo da série principal. Miguel Moreira, o favorito, foi terceiro, com 3.53,18.

Vara: Sem Diogo Ferreira, ganhou Rubem Miranda, com 5,44 à 1ª tentativa, a um centímetro do seu recorde pessoal, de 2015. Seguiram-se-lhe Edi Maia (2º) e Ícaro Miranda (3º), ambos com 5,32.

Triplo: Lamentavelmente sem Nelson Évora, a prova valeu pelas marcas de Carlos Veiga (16,34 e 16,13) e Tiago Pereira (16,30, 16,20, 16,18 e 16,13), agora quarto e quinto portugueses de sempre em pista coberta, já que Pedro Pichardo se limitou a dois ensaios (16,42 e 16,73), sagrando-se campeão. Veiga tem 16,36 ao ar livre e tinha 16,05 como melhor em pista coberta e Tiago Pereira tinha 15,83 em pista coberta e 16,05 ao ar livre como recordes pessoais.

5000 m marcha: Aos (quase) 42 anos de idade, João Vieira soma e segue – 18º título desde 1996 (o seu irmão Sérgio ganhou os outros cinco). Gastou 19.33,41 contra 19.44,10 de Miguel Carvalho (18 anos e meio mais novo!), que bateu o recorde pessoal por quase 14 segundos (tinha 19.57,83) e é já o quarto português de sempre. Miguel Rodrigues completou o pódio, como se previa (20.49,85).

Heptatlo: O recorde nacional de Mário Aníbal (5930 p em 2000) está em perigo! Excelente 1ª jornada de Samuel Remédios, que ficou a dois centésimos do seu recorde pessoal nos 60 m (fez 6,92) e bateu por boa margem os seus recordes no comprimento (de 7,41 para 7,52), peso (13,11-13,70) e altura (2,00-2,03). Relativamente ao seu heptatlo-recorde (5889 pontos em 2016), leva uma vantagem de 133 pontos, menos que os 41 pontos que o separaram do recorde há dois anos… Samuel Remédios soma 3392 pontos, contra 2815 de Pedro Ferreira, segundo.

FEMININOS

60 metros: Larga superioridade (23 centésimos) de Lorène Bazolo, que igualou a sua segunda marca de sempre, com 7,30, a três centésimos do seu melhor, e batendo por duas vezes o recorde dos campeonatos de Lucrécia Jardim e Severina Cravid (7,35), com 7,32 na eliminatória e 7,30 na final. A brasileira Tamiris de Liz foi segunda (mas correndo extra) e Adriana Alves (já portuguesa) foi terceira, com 7,64. Na eliminatória, Rosalina Santos melhorou para 7,42 mas não esteve na final.

400 metros: Sem Cátia Azevedo, vitória folgada de Rivinilda Mentai, com um recorde pessoal de 54,73, marca que a coloca como sétima de sempre. Filipa Martins foi segunda, com um recorde pessoal de 55,66 (tinha 55,78).

1500 metros: Foi a pior marca (4.40,80) de uma campeã dos últimos 43 anos (desde 1975)! A campeã de 2017 (e detentora da melhor marca deste ano), Carla Mendes, foi apenas 5ª, embora a menos de um segundo da vencedora, a sua colega de equipa (da J. Vidigalense) Carla Reis. Na véspera, em Boston, Marta Pen correra a milha (1609 m) em 4.29,65…

Altura: Situação pouco frequente, com duas campeãs de Portugal. Ausente a grande favorita Anabela Neto, Catarina Queirós e Catarina Fernandes igualaram os seus recordes pessoais a 1,73, ambas à terceira tentativa e com igual número de derrubes anteriores. Lamentavelmente, a federação internacional (IAAF) alterou recentemente os regulamentos, permitindo que haja igualdades no primeiro lugar, caso os atletas em causa assim o entendam. E elas aproveitaram…

Vara: Marta Onofre passou 4,05 e 4,25 à primeira e ganhou, já que Eleonor Tavares passou 4,15 mas depois falhou 4,25. A campeã tentou depois 4,35 (seria melhor marca da época) mas não conseguiu transpor. Novos progressos (4 cm) para Beatriz Batista, cujos 3,69 a colocam como 10ª portuguesa de sempre em pista coberta.

Comprimento: Bom despique entre Evelise Veiga (6,22 ao 4º ensaio) e Teresa Carvalho (6,17 ao 2º), ambas com 6,05 como segunda marca. Evelise ficou a um centímetro do seu recorde pessoal em pista coberta. Lucinda Gomes completou o pódio à beira dos 6 metros (5,98).

Peso: Vitória esperada de Jéssica Inchude, com 16,41 no 4º ensaio (outros a 15,54 e 15,91), a 25 cm do seu melhor desta época. Eliana Bandeira (15,37 como melhor) voltou a passar os 15 metros no seu primeiro ensaio (e único válido), com 15,03.

3000 m marcha: Oitavo título (7º consecutivo!) para Ana Cabecinha, em “descansados” 12.39,39. Satisfeitas ficaram as suas seguidoras Edna Barros (igualmente do CO Pechão), que progrediu de recentes 12.55,29 para 12.48,51 e é já a sexta portuguesa de sempre, e Mara Ribeiro, que melhorou de 13.13,59 para 13.07,19 e é agora a nona na lista de sempre.

(resultados completos no site da F.P. Atletismo:

http://www.fpatletismo.pt/resultados-em-direto-campeonato-de-portugal-de-pista-coberta-0)

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixar Resposta