Champanhe, atleta carregado e desqualificado: a louca maratona olímpica de Londres em 1908

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Na maratona dos Jogos de 1908, um italiano foi carregado até à meta antes de ser desqualificado; foi depois homenageado pelo seu espírito olímpico

A maratona dos Jogos Olímpicos de Londres 1908 foi uma das mais loucas da história olímpica. Na prova, o destaque foi o italiano Dorando Pietri, que aos 22 anos, foi o primeiro a cruzar a linha de meta mas foi posteriormente desqualificado por ter sido ajudado a completá-la. Pietri acabou por ser homenageado por causa do seu desempenho e espírito olímpico.

Antes da maratona, a prova dos 400 metros já havia causado polémica. Apenas quatro corredores participaram da competição, um britânico, Wyndham Halswelle, e três americanos. Halswelle caiu após ser empurrado quando tentava ultrapassar os americanos. Então, o juiz cortou a fita da linha da meta antes que os corredores completassem a prova e cancelou a corrida. Por causa do empurrão, Carpenter foi desqualificado. E quando chegou o momento de a prova dos 400 metros ser repetida, os outros dois americanos não participaram em forma de protesto. Halswelle venceu a prova…competindo sozinho.

Na época, a maratona media então 40 quilómetros. Mas, para que a maratona olímpica começasse em frente ao Castelo de Windsor até ao Estádio Olímpico, a distância foi aumentada para 42,20 km. Quando a prova começou, Thomas Jack disparou. O escocês bateu o recorde com o início mais rápido nos primeiros oito quilómetros. Mas cansou-se depois e ficou para trás.

Charles Hefferon entrou em primeiro na entrada do estádio mas parou para beber champanhe dado pelos espetadores, acreditando que tal ajudaria na reidratação. A falta de conhecimentos sobre nutrição desportiva naquela época fazia com que atletas pensassem que a água atrapalhava porque os deixariam pesados. Enquanto isso, bebiam café para dar energia.

Dorando Pietri entra no estádio e vai na direção errada, mas é auxiliado por oficiais

maratona1908A bebida não caiu bem em Hefferon, que foi ultrapassado pelo italiano Dorando Pietri. Mas o novo líder estava exausto e desidratado. Quando entrou no estádio, Pietri, confuso, foi na direção errada. E caiu algumas vezes enquanto percorria os 350 metros finais. Mas juízes da prova ajudaram o italiano a levantar-se e carregaram-no até à meta, onde caiu assim que completou a prova. O americano Johnny Hayes chegou em segundo lugar, mas protestou da ajuda recebida por Pietri. O italiano foi desclassificado, e Hayes ficou com o ouro, enquanto Hefferon levou a prata.

Mas todo o esforço de Pietri foi reconhecido pela rainha Alexandra, que deu um prémio devido ao espírito olímpico manifestado pelo italiano. Além disso, Dorando Pietri ficou com o seu nome numa rua na capital inglesa.

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