Coração de atleta: o que é e quais as vantagens

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Já ouviu falar no “coração de atleta”? Dificilmente, mas com certeza conhece a expressão “coração de mãe”, aquele que por ser tão grande, cabe sempre mais um. Só que no primeiro caso do nosso exemplo, não se trata apenas de uma metáfora carinhosa.

O “coração de atleta” é uma adaptação fisiológica do coração ao treino físico. Ou seja, o músculo cardíaco sofre alterações estruturais e funcionais benignas à medida que ele é mais solicitado numa atividade intensa.

Se o seu coração é exigido com frequência quase diária e por uma duração média acima de uma hora, são boas as hipóteses de ele crescer. Exercícios aeróbicos e cíclicos, como por exemplo, corridas de longa distância, ciclismo, natação, triatlo, remo e futebol, são apontados como os mais comuns na lista dos que provocam o “coração de atleta”.

Na prática destas atividades, o coração cresce realmente, embora não aconteça de um dia para o outro. Uma das alterações mais comuns é o aumento da espessura da parede do coração, conhecido como hipertrofia do músculo cardíaco.

Essa adaptação é acompanhada da dilatação da cavidade do coração, especialmente do ventrículo esquerdo, que já é mais espesso por ser responsável por bombear sangue para praticamente todo o corpo.

Geralmente, essa hipertrofia dá-se de maneira simétrica no coração do atleta. Nos casos de cardiopatias, o resultado costuma ser diferente, promovendo crescimentos assimétricos relacionados a doenças que podem levar à morte súbita.

É importante destacar também que o coração de atleta mantém as suas funcionalidades intactas. Na verdade, ele é até mais eficiente do que o coração de uma pessoa sedentária, por exemplo.

“O coração de atleta é muito mais eficiente porque é uma adaptação que precisa de ser feita para melhorar a performance. O coração tem um batimento mais eficiente, com maior volume de sangue bombeado e menor quantidade de batimentos cardíacos por minuto”, explica Nabil Ghorayeb, cardiologista e médico do desporto.

Essa característica, inclusive, é a responsável por uma das adaptações fisiológicas mais comuns no “coração de atleta”, chamada bradicardia, que define quando os batimentos cardíacos são inferiores a 60 por minuto em repouso. Como esse coração é mais eficiente, ele precisa de bater menos vezes para transportar o sangue necessário aos músculos e demais órgãos.

“E o coração bate mais lentamente também para o atleta não atingir o seu limite durante uma atividade desportiva”, complementa Ghorayeb, citando outra vantagem.

No entanto, como algumas dessas características também podem estar relacionadas com doenças cardíacas, são comuns diagnósticos errados confundindo coração de atleta e cardiopatias, segundo o cardiologista. “É muito difícil dizer se as adaptações indicam ou não uma doença, por isso é preciso fazer vários exames, fazer o histórico desportivo do atleta, saber quais as modalidades que ele pratica.”

Há, também, casos em que uma pessoa tenha o coração de atleta por praticar desporto e ainda assim, apresente alguma cardiopatia. Por isso, se uma pessoa tiver algum destes sintomas durante a prática desportiva:

  • Falta de ar muito forte
  • Arritmias
  • Tonturas
  • Dor no peito
  • Desmaio

Deve interrompê-la imediatamente e procurar um cardiologista, de preferência ligado à área desportiva.

Uma recomendação comum orientada por médicos em casos de suspeitas de cardiopatias é fazer um período de repouso, sem nenhum tipo de atividade, como por exemplo o destreino, onde regridem as adaptações fisiológicas do coração de atleta.

Além disso, também são indicados alguns exames, pois podem confirmar que os sintomas eram apenas alterações benignas resultantes do exercício.

De: Alexandre Sinato

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