Deficientes intelectuais desportistas prejudicados por batota espanhola há 17 anos

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A pouca presença de deficientes intelectuais no desporto paralímpico é consequência de uma grande polémica ocorrida há 17 anos. Nos Jogos Paralímpicos de Sydney 2000, a Espanha conquistou o ouro no basquetebol masculino com uma equipa formada por pessoas sem deficiência, que burlaram os testes de classificação funcional com respostas falsas. Por disso, o IPC excluiu a deficiência intelectual das Paralímpicos de Atentas 2004 e Pequim 2008.

A fraude espanhola foi desmascarada em Novembro do mesmo ano, quando Carlos Ribagorda, jornalista e membro da equipa, afirmou numa revista, que ele e a restante delegação não tinham nenhuma deficiência e participaram na tramóia num projeto da federação para “obter grandes resultados e ganhar melhores patrocínios”.

O ouro da seleção espanhola foi retirado e todos os atletas tiveram de devolver as medalhas. Em 2013, o presidente da Federação Espanhola de Desportos Paralímpicos, Fernando Martin Vicente, foi condenado a pagar uma multa de 5,4 mil euros. Jogadores e comissão técnica foram processados, mas acabaram absolvidos.

-Após o escândalo dos Jogos de Sydney, o IPC só voltou a admitir deficientes intelectuais nos Paralímpicos a partir de Londres 2012. Mesmo assim, eles voltaram em poucas modalidades e numa classe só (T20 no atletismo e S14 na natação). Devido a disso, mudou-se completamente o processo de classificação funcional. Antes, eles faziam apenas testes cognitivos através de avaliações escritas, o que permitia que dessem respostas falsas. Agora há uma mescla entre cognição (perguntas e respostas) e coordenação motora entre as perguntas e as respostas. Isto é, os atletas vão para a pista e têm de executar tarefas, como correr 20 metros a 80% da sua condição física e depois parar para se desviarem de cones. O que eles responderem nisso tudo, vai dizer se é elegível ou não.

A deficiência intelectual segue em observação no movimento paralímpico, estando já confirmada nos Jogos de Tóquio 2020. A classificadora funcional diz ainda que a tendência é que mais modalidades paralímpicas admitam deficientes intelectuais no futuro, caso seja consolidada a lisura nos processos eletivos da categoria. Há também um movimento pela inclusão da Síndrome de Down no desporto de alto rendimento.

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