Dez conselhos para superar um fracasso na corrida

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Primeiro que tudo, todos nós sabemos que até os melhores atletas têm dias maus. Importante também é encontrar erros ou explicações que lhe ajudem a interpretar a razão do fracasso.

Terminou uma corrida com um tempo muito abaixo do que esperava? Já sabe o que fez de errado? Treinou muito? Não descansou? Reflita e anime-se, pois outras provas surgirão.

Eis dez conselhos para superar essa situação, que apesar de não ser agradável, é muito comum.

1 – Dias bons e dias maus

Esta é a lei da vida em quase todos os campos da nossa existência. O corredor pode ter treinado muito bem, descansado adequadamente, planeado corretamente a corrida, lutado até ao final… E, mesmo assim, faltaram-lhe as forças.

Isso ocorre até com os melhores atletas e há uma explicação que se resume numa só palavra: biorritmos. O nosso corpo não tem sempre a mesma predisposição frente ao esforço. Funciona como um ‘motor’, que nem sempre está em condições de oferecer a mesma cilindrada exigida. Hoje, correndo no seu máximo, pode completar uma prova de 10 km em 42 minutos e, se correr três dias depois, talvez faça a mesma distância em 41 minutos. Isso porque o treino não é apenas uma ciência, é uma arte.

2 – Descanse

Chegue à prova o mais descansado possível. Existem corredores que para se sentirem seguros de si mesmos, correm intensamente inclusive um dia antes da corrida, como que para “provar” as suas forças. Não há nenhum sentido nisso, eles estarão perdendo energias.

3 – Procure os seus erros

Descansou bem antes da prova? Treinou o suficiente? Está mesmo em tão boa forma como pensa? Partiu muito depressa na competição? Aqueceu bem? Correu de modo conservador? Ficou nervoso?

Tente encontrar erros ou explicações que lhe ajudem a interpretar o motivo pelo qual fracassou na competição. Só detetando as deficiências, é possível começar a trabalhar para corrigi-las no futuro.

4 – Seja realista ao criar objetivos

Este é um erro comum entre os atletas. Às vezes, pela vontade de nos darmos bem ou pela própria emoção que a corrida nos proporciona, acabamos por nos supervalorizar. Pode ser que noutra época da sua carreira desportiva, fosse mais depressa. Mas isso pode não ser o que sucede agora.

Como foram os seus últimos treinos? Dormiu bem nos dias anteriores à corrida? Ficou doente? Se for mulher, menstruou nos dias antecedentes à prova?

Tudo isso, seguramente, influirá negativamente sobre o seu rendimento. Leve em conta esses dados quando planear um tempo para a prova.

5 – Mude para melhorar

Talvez não esteja treinando bem, lhe faltem séries ou mais treinos. Pode ser também que ande correndo demasiado, viva uma falta de sintonia com o seu treinador, lhe falte orientação, não alongue o suficiente, compita muito ou algo assim.

O seu melhor “modo de vida atlético” pode não ser o mais adequado para render bem ou algo não está correto. Precisa de pensar em mudanças.

6 – Sempre positivo

Terminar uma corrida é já sempre um triunfo e isso é algo que valorizamos, especialmente quando voltamos a competir após superar uma lesão. Na vida do atleta, há corridas melhores e piores. Temos de nos sentir satisfeitos simplesmente pelo prazer de competir.
Talvez não tenha melhorado a sua marca como esperava. Porém, foi um lutador e competiu bem, num bom nível, com ilusão e lutando até cortar a meta. E a pergunta que fica: passou um bom dia? Pois isso já é um motivo para estar alegre. A vida, e a vida do corredor, está muito mais além do que uma simples marca.

7 – Confie em si

Se em algum momento da sua vida desportiva, já correu mais depressa, tenha a certeza que poderá ter um bom desempenho. Se treinou bem, os resultados, cedo ou tarde, voltarão. Os atletas de elite têm sempre a autoestima desportiva muito elevada além de ser uma condição indispensável para triunfar, não só no desporto, como em qualquer parâmetro da vida. Às vezes, o que define isso é uma linha ténue que vai separar a vitória da derrota.

8 – Descubra um copo “meio cheio”

Talvez não tenha melhorado a sua marca nem alcançado uma boa classificação. Porém, sempre sai ganhando com as experiências. Nem sempre se pode estar a 100%, mas se competir a cerca de 90% das suas possibilidades, também conquistou um grande resultado.

9 – Inscreva-se para outra corrida

Para superar um desencanto desportivo e virar a página, o melhor é procurar quanto antes, uma nova prova semelhante. Logicamente, se não competiu bem na semana passada durante uma maratona, não será possível correr os 42 km de novo na semana seguinte. Porém, se pelo contrário, participou numa prova de 10 km, por que não repetir a distância no domingo seguinte? Se está em boa forma, terá muitas possibilidades de conquistar o seu objetivo que procura de prova em prova.

10 – Aprenda a perder

Nem sempre as coisas acontecem como esperamos ou programamos. E o desporto, que não é injusto, é cruel às vezes. O espanhol Fabián Roncero perdeu, seguramente, por duas vezes um recorde europeu da maratona, ambas em Roterdão, ao sofrer fortes caibras depois do 40º quilómetro, que o obrigaram a alongar-se.

As coisas nem sempre saem ‘redondas’ e, em muitas ocasiões, a má sorte aparece no momento mais inesperado e inoportuno: a competição e devemos aceitar essa situação. Fermín Cacho foi um dos melhores atletas espanhóis da década de 90. Numa ocasião, e antes da principal competição anual, um jornalista perguntou-lhe se ele estava otimista antes dessa prova, entendendo que não, pois, o atleta não tinha feito nenhuma grande marca nas últimas semanas.

Fermín, muito tranquilo, respondeu ao jornalista: “Não estou preocupado, porque treinei bem. Isso significa que estou forte.”
E essa é a realidade. Se os treinos ocorrem como planeou, não se derrote psicologicamente antes da hora. Se está em forma, a sua condição não pode desaparecer por magia, e assim, na próxima semana, pode reluzir. Uma boa condição não vem de repente, porém, por sorte, não se vai embora de um dia para o outro.

Assim como dizia Fermin Cacho, guie-se pelos seus treinos no momento de traçar um objetivo. O dia a dia é o que realmente conta. Um ciclo de treino é, mais do que tudo, uma avaliação contínua. Por tanto, um dia mau não significa que tenha desperdiçado o trabalho todo.

 

 

 

 

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