Nas últimas quatro décadas, a Etiópia conquistou medalhas em todos os Campeonatos Mundiais de Corta-Mato. Mas essa sequência agora está em risco. Foi noticiado ontem que mais de uma dúzia de atletas etíopes viram negados os seus vistos de viagem para os Estados Unidos, antes do Mundial de Corta-Mato deste sábado em Tallahassee, Flórida.
A Federação Etíope de Atletismo já confirmou que 14 dos seus 18 atletas do escalão sub-20 viram os seus pedidos de visto para os Estados Unidos rejeitados pela embaixada norte-americana em Addis Abeba. Também foram afetados dois atletas da estafeta mista e quatro atletas do escalão sénior.
A Etiópia pretendia enviar equipas completas de seis homens e seis mulheres em todos os escalões etários. Em vez disso, apenas um atleta masculino sub-20, Ayele Sewnet, recebeu o visto. Como são necessários quatro atletas para pontuar na competição por equipas, a Etiópia não poderá registar um resultado por equipas nas provas masculina e feminina sub-20, terminando assim a sua sequência de 44 anos com medalhas.
A situação da Etiópia é menos grave no escalão sénior. A Etiópia terá conseguido substituir os atletas seniores afetados por outros que já possuíam vistos válidos ou residiam nos Estados Unidos, permitindo que o país formasse equipas completas para as provas masculina e feminina sénior, bem como para a estafeta mista.
A Federação Etíope de Atletismo informou que os pedidos de visto foram submetidos inicialmente em 12 de dezembro, acerca de um mês depois das seletivas nacionais de corta-mato. Dos 34 pedidos iniciais, 23 foram negados. Uma segunda série de solicitações, submetida semanas depois, teve o mesmo resultado.
Nem a Federação nem os atletas receberam uma explicação sobre o motivo da recusa dos vistos.
A Etiópia não é a única a enfrentar problemas. A Eritreia, que enviou mais de meia dúzia de atletas para os dois últimos Campeonatos Mundiais de Corta-Mato na Sérvia e na Austrália, não poderá competir na edição de 2026, depois de o país ter sido incluído na lista de países com restrições de viagem impostas pelos Estados Unidos em junho de 2025 pelo presidente Donald Trump.
A World Athletics afirmou ter tomado conhecimento do problema da Etiópia em meados de dezembro. O presidente Sebastian Coe disse estar a trabalhar com o Comité Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos, na tentativa de resolver a situação. Coe ressaltou a importância da presença da Etiópia neste Campeonato, dada a rica história do país na modalidade. “É muito importante que, ao receber um Campeonato Mundial de Corta-Mato, a Etiópia esteja presente”, afirmou.
Nos próximos anos, os Estados Unidos vão receber mais eventos desportivos como o Campeonato Mundial de Atletismo Sub-20 de 2026 em Eugene e os JO de 2028 em Los Angeles. Com Trump a presidente, como vai ser? Se a recusa dos vistos para a Etiópia e Eritreia, fosse tomada num país pequeno, já lhe teria sido retirada a organização do Mundial de Corta-Mato.

