Estudo aponta assimetria na passada de Bolt e tenta responder: ajuda ou atrapalha?

0
2004

Cientistas tentam perceber se Bolt é o mais rápido do mundo por causa ou apesar da sua biomecânica irregular.

A facilidade com que Usain Bolt conquista os seus títulos tem originado diversos estudos ao longo dos anos. O New York Times publicou ontem mais uma tentativa de analisar a velocidade do astro. Cientistas da Southern Methodist University (SMU), referência em biomecânica, avaliaram a passada do jamaicano em vídeo e perceberam uma grande diferença no movimento das pernas direita e esquerda. A perna direita de Bolt aparenta ter 13% a mais de força, enquanto a esquerda fica 14% mais tempo em contacto com o chão nas provas observadas.

Velocistas de elite costumam apresentar passadas irregulares, mas não com a diferença tão grande quanto Bolt, de acordo com Peter Weyand, diretor do Laboratório de Performance Locomotora da SMU.

O estudo ainda não está completo, e os cientistas ainda tentam encontrar elementos para responder se essa passada irregular ajuda Bolt a ser o mais rápido do mundo ou se ele poderia ser ainda mais rápido se tivesse um maior equilíbrio biomecânico.

– “Essa é a pergunta de um milhão de dólares” – brinca Peter Weyand.

Os cientistas têm a tese de que a passada irregular de Bolt foi a maneira que ele encontrou para reduzir os efeitos de sua escoliose – ele tem a coluna levemente curvada para a direita, e sua perna esquerda é meio centímetro menor que a direita, de acordo com a sua autobiografia.

– Trabalhamos com a ideia de que ele provavelmente otimizou a sua velocidade, e essa assimetria reflete isso. Corrigir a sua passada não o aceleraria e talvez o pudesse deixar mais lento – analisa Weyand.

As primeiras descobertas do estudo foram apresentadas no mês passado num congresso internacional de biomecânica em Colónia, na Alemanha. Antti Mero, estudioso das corridas de Bolt e fisiologista da Universidade de Jyvaskyla, na Finlândia, ficou intrigado com os dados do trabalho da SMU. Ele argumenta que é comum a diferença entre as pernas dos corredores, mas nada além de 3%. “- Isso soa um pouco maior” – comentou ao NY Times.

 

Deixar Resposta