O francês Jimmy Gressier não gostou de ler que o presidente da World Athletics, Sebastian Coe, tinha dito estar “frustrado” por não conseguir revogar o recorde mundial da maratona obtido pela queniana Ruth Chepngetich em Chicago, com 2h09m56s, entretanto suspensa por doping alguns meses depois. Gressier acredita que todos os recordes de atletas dopados deveriam ser apagados.
O recorde da atleta e o seu posterior caso de doping têm levantado muita polémica. Questionado recentemente sobre o assunto, Sebastian Coe admitiu que tal lhe causou “muita frustração“ , antes de acrescentar que “não é advogado” .
“Existem, obviamente, dificuldades legais. O único ónus da prova pode ser um teste positivo e/ou o facto comprovado de que houve violação das regras antidoping no momento em que o feito foi alcançado”, lembrou ele, justificando a manutenção do recorde mundial, como em muitos casos de atletas posteriormente suspensos.
Jimmy Gressier, campeão mundial dos 10.000 m em Tóquio e recente vice-campeão europeu de corta-mato na Lagoa, comentou o recorde de Ruth Chepngetich na sua conta do Instagram: “Isto envia uma mensagem prejudicial. Vão em frente, atletas femininas, tentem quebrar este recorde mundial, que é falso, certamente alcançado com doping para melhorar o desempenho, porque o exame deu positivo cinco meses depois do recorde… Imaginem todos os recordes mundiais que foram quebrados por atletas dopados e que ainda permanecem!”
Gressier, ele próprio detentor de recordes, costuma divulgar as suspensões por doping de atletas anunciadas pela AIU. “Pessoalmente, acho que quem usa substâncias para melhorar o desempenho e é apanhado, deveria ter todos os seus recordes anulados, sejam eles recordes mundiais, franceses, espanhóis… Do contrário, isto não passa uma boa mensagem para o atletismo em geral”, acrescentou ele no passado domingo.

