Kipchoge e a maratona de Viena em menos de 2 horas: A importância do avanço tecnológico dos materiais desportivos na quebra de recordes

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A superação de limites no desporto tem cada vez mais a ciência e a tecnologia como aliados. Para o fisiologista Turíbio Barros, não se justifica a contestação aos ténis de Eliud Kipchoge, mas sim a celebração do feito histórico. Publicamos seguidamente a sua opinião acerca deste tema.

“O universo da corrida de rua ainda repercute o feito até há pouco tempo, considerado  impossível do queniano Eliud Kipchoge de correr a maratona em menos de duas horas. Este feito é um exemplo típico do processo de evolução do ser humano. É interessante lembrar que a corrida da maratona teve origem na história, quando o soldado grego Fidípedes teria morrido após percorrer esta distância de 42,195 km entre a cidade de Maratona e a de Atenas para anunciar a vitória das tropas atenienses sobre os persas na Primeira Guerra Médica.

Dos tempos dos soldados da Grécia antiga até hoje, o homem foi não somente tolerando cada vez melhor este percurso como foi diminuindo cada vez mais o tempo dessa prova, chegando ao momento mágico de percorrê-lo em menos de duas horas.

A discussão do facto de ter sido uma prova preparada para se obter este resultado com utilização de atletas de apoio e não se tratar de uma prova oficial, não tira em nada o mérito do queniano. A história vai registrar para sempre o resultado por ele obtido.

O questionamento do ténis especial por ele usado, com sola de placa de carbono, também não muda em nada o valor do seu resultado. Aliás, este é mais um exemplo de que a superação de limites nos desportos tem cada vez mais a ciência e a tecnologia como aliados.

Os recordes vão sempre continuar caindo, pois o show tem que continuar e a ambição de superar-se sempre faz parte da natureza humana. Ninguém pode negar que o avanço tecnológico dos materiais desportivos já faz parte da quebra de recordes.

Como imaginar que um atleta possa saltar mais de seis metros no salto com vara sem uma vara de fibra com enorme flexibilidade para literalmente impulsionar o saltador? Pois este resultado é fruto da tecnologia.

O mesmo raciocínio, devemos fazer no que diz respeito ao material das modernas pistas de atletismo. O lendário Jesse Owens, que humilhou o ditador Adolf Hitler nos Jogos Olímpicos Berlim 1936, fez história correndo em pista de pó de carvão. Hoje, o homem corre 100 metros abaixo de 10 segundos, mas em pista de tartan, que contribui decisivamente para esta marca.

Diante de todos estes factos, não cabe nenhuma contestação ao ténis do Eliud; cabe, sim, a celebração deste feito histórico”.

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