Mundial: Lecabela com honroso 8º lugar, Bazolo e Cátia longe do que valem

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Lecabela Quaresma, com um honroso 8º lugar, fez um bom pentatlo, somando 4424 pontos, a sua terceira marca de sempre, depois dos 4473 e dos 4444 pontos da época passada, estes últimos nos Europeus de Belgrado (7ª). Relativamente ao seu melhor pentatlo, esteve melhor nas barreiras (8,54 para 8,51), igual na altura (1,76), perto do melhor no peso (14,29-14,12) e no comprimento (6,06-6,01) e um pouco mais longe nos 800 m (2.17,60-2.19,85). Esta marca valeu-lhe o 8º lugar entre as 12 concorrentes, beneficiando da desistência da francesa Antoinette Djimou nos 800 m finais. A vencedora foi a britânica Katarina Johnson-Thompson, com 4750 pontos, a 250 pontos do seu melhor, conseguido quando se sagrou campeã europeia em 2015.

As duas outras atletas nacionais que atuaram neste primeiro dia completo do Mundial estiveram aquém da sua valia. Loréne Bazolo (7,27 como melhor esta época) partiu muito bem mas foi depois ultrapassada por cinco atletas, classificando-se em 6º lugar na sua série com 7,39, um dos seus piores tempos desta época. Foi a 34ª marca entre 47 concorrentes e a última das 24 apuradas para as meias-finais gastou 7,31. Cátia Azevedo esteve na luta nos 400 m até final (eram apuradas automaticamente as duas primeiras) mas acabou por ser quarta na sua série, subindo depois a terceira por desclassificação da sérvia Maja Ciric. Esta sexta (e última) série foi, de longe, a mais lenta de todas as seis. A vencedora, a jamaicana Tovea Jenkins, gastou 53,39, e a segunda apurada, a eslovaca Iveta Putalová 53,97. Cátia, que obteve 54,17 (a mais de um segundo do seu recente recorde pessoal de 53,13), fez o 29º tempo entre 33 concorrentes (duas das quais desclassificadas). A última apurada por tempos fez 53,05.

Emocionante comprimento e sensacional Ahouré

De entre as restantes finais deste dia, o relevo vai para a do salto em comprimento. O cubano Juan Miguel Echevarria, de apenas 19 anos, abriu com 8,19 e 8,28, enquanto o campeão mundial (de ar livre), o sul-africano Luvo Manyonga fazia dois nulos, arriscando-se a falhar os ensaios finais. Mas, no terceiro salto, chegou a 8,33, passando a comandar e, no quarto, melhorou para 8,44, novo recorde africano. No 5º ensaio, enquanto o norte-americano Marquis Dendy ameaçou com um recorde pessoal de 8,42, Echevarria melhorou para 8,46, melhor marca mundial do ano e que lhe deu o triunfo final numa prova em que os três primeiros ficaram separados por apenas quatro centímetros.

Outra grande figura foi Murielle Ahouré (Costa do Marfim), que ganhou os 60 metros em 6,97, recorde nacional, melhor marca mundial do ano e que a coloca como sexta de sempre. Deixou a sua compatriota Marie-Josée Ta Lou (2ª) e a suíça Mujinga Kambundji (3ª) a oito centésimos (!).

Muito fraco o peso feminino, ganho pela húngara Anita Márton com 19,62 no 6º ensaio (fizera 19,48 no 3º). Foi a pior marca vencedora deste século em Mundiais, apesar de ser a melhor marca mundial do ano. Apenas mais duas atletas passaram (mas por pouco) os 19 metros: Daniel Thomas-Dodd, com 19,22 (primeira medalha da Jamaica de sempre, no peso), e a chinesa Lijao Gong (19,08).

Entretanto, o francês Kevin Mayer comanda o heptatlo no final da primeira jornada, com 3536 pontos, mais 45 que o canadiano Damian Warner.

Um dia de esperança

Este sábado, na terceira jornada, atuarão as duas grandes esperanças nacionais de classificações entre os primeiros. De manhã (às 11.57 h), Tsanko Arnaudov será um dos 16 concorrentes à final direta do peso, prova para a qual partirá com a 7ª marca da época, sendo o 13º a lançar. Primeiro objetivo: ser um dos oito primeiros ao fim dos três primeiros ensaios, para ter direito a pelo menos mais dois (só os quatro primeiros ao fim do quinto ensaio farão o sexto). Outro objetivo: bater o seu (recente) recorde nacional de 21,27.

À tarde (19.08 h), Nelson Évora será um dos 15 concorrentes ao triplo salto, possuindo a segunda melhor marca do ano (17,30) e sendo o último a saltar. Uma subida ao pódio estará ao seu alcance e, se concretizar esse objetivo, será a sua quarta medalha em pista coberta depois do bronze no Mundial de 2008 (17,27) e do ouro nos Europeus de 2015 (17,21) e 2017 (17,20). O recorde nacional de 17,33 não é impossível…

Outra presença portuguesa será a da equipa feminina de 4×400 m, que estará na primeira das duas eliminatórias de 4×400 m (10 equipas), passando à final as duas primeiras de cada e mais duas equipas por tempos. A chegada à final será difícil mas o recorde nacional (3.41,54 de uma equipa do Sporting em 2016) está perfeitamente ao alcance da equipa, composta por Dorothé Évora, Filipa Martins, Rivinilda Mentai e Cátia Azevedo.

Além destas duas finais e da segunda jornada do heptatlo, realizar-se-ão mais oito finais: 60 m, 400 m, 800 m masculinos e 60 m barreiras, 400 m, 1500 m, vara e triplo femininos.

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