Núcleo Sportinguista Leões da Fronteira/Onde se faz atletismo em condições muito difíceis

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O Núcleo Sportinguista Leões da Fronteira foi fundado em 2003 com o atletismo a aparecer em 2009. Bruno Simões é o presidente do clube que tem 270 sócios e 30 atletas. Em Vilar Formoso, os problemas da interioridade sentem-se bem na prática do atletismo.

O Núcleo Sportinguista Leões da Fronteira (NSLF) foi fundado em 2003 e é como o nome o indica, uma filial do Sporting Clube de Portugal. Por determinação deste, teve de alterar o seu nome para Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Vilar Formoso mas a nível da Federação Portuguesa de Atletismo, mantém o nome original.

Leões 1A Secção de Atletismo surgiu em 2009, na sequência de vários jovens com aptidões para a modalidade terem de se filiar em clubes fora de Vilar Formoso.

O atual presidente chama-se Bruno Simões que sucedeu este ano a Miguel Simões, de modo a permitir a este, mais disponibilidade de tempo para gerir as atividades do atletismo do Núcleo.

Sentir os problemas da interioridade

O clube tem a sua sede e cerca de 270 sócios que pagam em média 12 euros por ano. Tem em funcionamento apenas a Secção de Atletismo que movimenta 30 atletas, desde benjamins a veteranos que participam maioritariamente em provas de pista e estrada. Devido à localização geográfica fronteiriça, alguns dos atletas são espanhóis, com o clube a competir também em Espanha.

A aposta do clube é na formação porque como nos diz Miguel Simões, ”nesta região despovoada do interior, os nossos jovens aos 17/18 anos vão estudar para as cidades”.

Leões 3A sofrer os problemas decorrentes da interioridade e dadas as dificuldades em o clube ter nestas condições, atletas nos escalões de juniores e seniores, a Secção passou a apostar mais recentemente na “formação” de veteranos.

O responsável da Secção chama-se António Miguel de Simões Bernardo que é também o treinador, conjuntamente com Teresa Bernardo.

Orçamento anual de quatro mil euros

O orçamento da Secção ronda os quatro mil euros anuais. Chegam porque a Secção só define objetivos conforme a dotação orçamental de que dispõe. A Câmara Municipal de Almeida e a Junta de Freguesia de Vilar Formoso contribuem com os seus subsídios. Das empresas, o apoio é quase nulo, até porque elas quase não existem na região. Outras receitas advêm de iniciativas pontuais como rifas, torneios de sueca, etc.

Os apoios aos atletas são os possíveis e passam pelas inscrições, equipamentos, exames médicos, transportes e alojamento.

“O nosso objetivo é formar atletas, mas sobretudo Homens e Mulheres”

Satisfeitos com os atletas

Leões 10Miguel Simões exprime a sua satisfação com a prestação dos seus atletas, “não só pelos resultados competitivos mas pela assiduidade, empenho, e assimilação dos valores que lhes tentamos transmitir. Não fazemos captação de atletas e aceitamos todos (e são cada vez mais) os que nos procuram. Independentemente dos resultados, todos são assíduos, responsáveis e empenhados. Por isso, estamos satisfeitos com os resultados (independentemente de serem desportivos) dos atletas”.

Três atletas merecem um destaque especial: Maria Bernardo, que foi da formação (de Benjamim a Juvenil) e é a atual campeã nacional de Marcha Atlética no escalão de Juniores, agora em    representação do Clube Oriental do Pechão; Teresa Bernardo e Sabina Neca nos escalões de F40 e F45, com medalhas nacionais nos Campeonatos Nacionais de Estrada e Corta-Mato. Teresa Bernardo esteve recentemente na Maratona de Barcelona, onde conseguiu um novo recorde pessoal (3h,10m11s) e obteve o 3º Lugar, no Escalão F45.

Núcleo Sportinguista Leões da Fronteira

Leões-logotipoConcelho: Almeida

Ano fundação: 2003

Presidente: Bruno Simões

Sócios: 270

Atletas: 30

Técnicos: 2

Orçamento: 4.000 euros

Formar jovens para os outros clubes

Para Miguel Simões, os objetivos a curto prazo da Secção passam por “formar jovens que possam ter continuidade noutros clubes, com preferência para o Sporting Clube de Portugal, quando tiverem que sair da região”. Outro objetivo passa pela criação de uma equipa de veteranas que dispute títulos nacionais.

“Faltam atletas e competição no distrito, o universo de potenciais atletas é restrito, aproximadamente 30 por escalão, divididos entre rapazes e raparigas”

Dificuldades

Leões 9Não é fácil nas condições atuais manter em atividade uma equipa de atletismo. Miguel Simões refere algumas das dificuldades que encontra no dia a dia, desde a falta de equipamentos, com a pista mais próxima situada a 40 km (e os acessos exigem pagamento de portagens), à falta de mais atletas na região, ao clima que não ajuda. “Faltam atletas e competição no distrito, o universo de potenciais atletas é restrito, aproximadamente 30 por escalão, divididos entre rapazes e raparigas, etc”.

Formar Homens e Mulheres, primeiro que tudo

O clube aceita de bom grado a saída dos jovens quando terminam o ensino secundário e abandonam Vilar Formoso. “O nosso objetivo é formar atletas, mas sobretudo Homens e Mulheres. Incentivamos os resultados académicos e ficamos satisfeitos que completando o ensino secundário, prossigam estudos universitários, o que implica saírem de Vilar Formoso”.

Leões 5Miguel Simões mostra como é possível formar homens e mulheres para a vida sem esquecer o atletismo: “O que pretendemos é que, com a formação desportiva que desenvolvemos, eles possam, caso desejem, dar, também, continuidade à sua carreira desportiva. Nós tentamos encaminhá-los, dentro dos nossos conhecimentos”.

 

Fazer a cama antes de correr

Estórias não faltam a Miguel Simões. A primeira que o deixou comovido, passou-se numa participação no Olímpico Jovem Nacional, em representação da Associação de Atletismo da Guarda. “Fui chamar as atletas para irem tomar o pequeno-almoço e encontrei-as muito preocupadas, a fazerem a cama antes de saírem do quarto do hotel”.

“TOMA” numa transmissão de uma estafeta

Esta passou-se num Campeonato Nacional de Clubes em Pista Coberta, com atletas juvenis treinadas por Miguel Simões, mas em representação da A.C.D.R. S.ª Desterro. “Na preparação da prova de estafeta, disse-lhes para escolherem, entre elas, uma palavra de transmissão distinta das habituais para conseguirem distinguir no meio da confusão. Pouco tempo antes da prova perguntei-lhes qual a palavra escolhida? E a resposta foi: ‘PIXA’. Obviamente, substitui a palavra por: ‘TOMA’.

“Aquecer” demasiado tempo

Num Campeonato Distrital de Estrada, uma atleta veterana foi “aquecer”. Quando acabou o aquecimento, já todas tinham partido. Mesmo assim, foi ainda a tempo de vencer e sagrar-se Campeã Distrital de Veteranos.

Correr duas provas seguidas

Finalmente, uma estória com um jovem atleta que, apesar dos conselhos, era teimoso e só queria correr. Num Corta-Mato das Beiras depois de fazer a prova do seu escalão (Juvenis), continuou a correr, não para regressar à calma, mas a toda a velocidade. Miguel Simões mandou-o parar e perguntou o que estava a fazer. Resposta: estava acompanhar a prova dos Séniores (pelo lado de fora)!

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