O ambicioso projeto Grand Slam Track de Michael Johnson enfrenta a ruína financeira depois da World Athletics ter rejeitado uma proposta para liquidar as suas dívidas em metade do valor devido.
Segundo o jornal The Times, a World Athletics insistiu que o Grand Slam deve pagar primeiro as dívidas aos seus atletas.
A decisão pode significar o fim de uma organização que Michael Johnson, quatro vezes campeão olímpico, prometeu que ia revolucionar o atletismo com prémios substanciais para os seus principais atletas.
A World Athletics tem deixado claro que a sua prioridade é garantir que os atletas que competiram nos eventos do Grand Slam em Kingston, Miami e Filadélfia recebam o pagamento integral. Um quarto evento, planeado para Los Angeles no final de junho, foi cancelado.
Diversos atletas, incluindo Josh Kerr, Emmanuel Wanyonyi e Melissa Jefferson-Wooden, ainda aguardam o recebimento de 50% dos seus prémios monetários e cachets. Para alguns, esses pagamentos pendentes representam quantias de seis dígitos.
Grand Slam Track entrará com pedido de proteção contra falência
No mês passado, um escritório de advogados representando o Grand Slam Trackm (GTS) entrou em contacto com diversos fornecedores envolvidos no lançamento da liga. A carta, dos especialistas em insolvência Levene, Neale, Bender, Yoo & Golubchik LLP, oferecia aos credores 50 cêntimos por cada dólar do valor que lhes era devido, totalizando milhões.
A empresa alertou que, caso a oferta não fosse aceite, o GST seria obrigado a entrar com pedido de recuperação judicial. A carta também mencionava o interesse de um terceiro em adquirir ou financiar o GST, mas somente se este estivesse livre de dívidas, condição que exigia a aceitação do acordo de pagamento parcial por todos os credores até ao dia 5 de dezembro. No entanto, a World Athletics, que tem supostamente a receber cerca de 34 mil euros pelos direitos de licenciamento, já rejeitou a oferta, colocando o GTS numa posição precária.
Michael Johnson, que ainda não se pronunciou publicamente sobre estes recentes acontecimentos, admitiu anteriormente que estava com dificuldades em pagar aos atletas. Ele atribuiu as dificuldades financeiras à desistência de um dos principais patrocinadores após o meeting inaugural em Kingston, não ter correspondido às expectativas.
Michael Johnson também esteve ausente da sua função habitual de comentador da BBC durante o Mundial de Tóquio, em setembro passado.
Os atletas foram informados no início de outubro de que receberiam “50% do valor total das participações e dos prémios monetários conquistados no Grand Slam deste ano”, mas, segundo relatos, não receberam mais nenhuma comunicação desde então.

