Sebastian Coe: “O atletismo sairá mais forte, há conexão emocional”

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Sebastian Coe, presidente da World Athletics, deu uma videoconferência para sete meios de informação europeus.

Com o processo de qualificação olímpico congelado até Dezembro e o Mundial de Eugene adiado para 2022 para não coincidir com os Jogos Olímpicos, Coe respondeu a uma série de perguntas.

É a situação mais difícil do atletismo moderno?

É um desafio para o desporto, para as pessoas, os países, as ruas, os negócios, os hospitais… Há que protegê-los e sucede o mesmo com o atletismo. Estamos ante algo muito sério mas eu sou otimista por natureza. O atletismo sairá desta situação mais forte. Sinto muita conexão emocional entre as pessoas e espírito de resiliência. Espero que se compita em 2020 mas só se for seguro para a saúde dos atletas e das cidades.

Adiaram-se os Jogos para 2021 e a World Athletics congelou o processo de classificação olímpica até Dezembro

Muitos atletas não têm podido sair de casa há cinco ou seis semanas e não o farão enquanto durar a epidemia. Logo, necessitam de um tempo lógico para preparar-se. A integridade das competições também implica justiça nas condições de treino e alguns atletas terão problemas para sair do país e viajar. Por isso, também abrimos uma janela especial (8 e 9 de Agosto) reservada para os Campeonatos Nacionais, para que se possa competir sem viajar.

Pareceu-lhe adequado o adiamento olímpico?

Claro, foi uma decisão bem-vinda, porque deu um respiro à comunidade atlética nestes tempos tão incertos. É difícil de dizer para nós mas há ocasiões em que o desporto deve estar em segundo plano.

Mas todavia, confia numa época em 2020…

O futuro é incerto e tupo depende da Covid-19, mas sim, é possível, programaremos uma época de finais de Agosto a Outubro, uma vez adiados os Jogos. Mais importante que a competição é que os atletas possam treinar na plenitude. Eles querem voltar a competir, embora tenham 50% da qualificação olímpica feita e este período não conte, são profissionais e aspiram a prémios.

Os Europeus de Paris 2020 seguem em frente (26 a 30 de Agosto). Como vê?

Não sei a resposta, se os teremos ou não (são competência da Federação Europeia). Há que ser cautelosos, escutar os médicos, governos, cientistas…

E se olhar além de 2020…

Repito que sou otimista. Em 2021, haverá Jogos Olímpicos. Em 2022, Mundiais em Oregon e Europeus em Munique. Há Mundiais em Budapeste 2023, Jogos Olímpicos de Paris 2024, em 2025, Mundiais… Veem anos bons. A World Athletics tem a sorte de contar com parceiros fortes e contratos de longa duração. Sabemos que para certos meetings, as coisas serão difíceis.

Imagina meetings sem público?

Não quero que isso suceda, nem eu nem os atletas nem os fans.

Propôs os Mundiais de Oregon de 2021 para 2022 entre 15 e 24 de Julho. Coincide com grandes eventos (o Tour de França e o Torneio de Ténis de Wimbledon)

Era a decisão lógica. Não era uma boa ideia ter Jogos e Mundiais no mesmo ano. Já estavam no calendário, os Europeus (11 a 22 Agosto) e os Jogos da Commonwealth (27 Julho a 7 de Agosto). Foi um desafio encontrar um buraco. Há grandes eventos nesses dias mas não há soluções perfeitas.

No Inverno, antes da grande paragem, Duplantis bateu três vezes o recorde da vara…

Luzem nele qualidades de estrela. É atrativo para as pessoas, agarra e tem uma grande personalidade. As marcas que faz com a vara são o passaporte para mostrar ao mundo quem é. Em Tóquio 2021, chegará num grande momento. Ninguém substituirá Bolt nem Mohammad Ali, mas chegam jovens fantásticos.

A situação é complicada para a luta antidoping

Haverá sempre quem aproveite esta situação nos limites da moralidade. Não sejamos ingénuos. Controlam-se 100 países, é mais difícil mas há sistemas que analisam retroativamente como o passaporte (biológico).

 

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