A sprinter norte-americana Abby Steiner, de 26 anos, entrou com processos na Justiça contra a Puma e a equipa da Fórmula 1 da Mercedes. A atleta acusa as duas marcas de desenvolverem sapatilhas desportivas defeituosas que teriam causado uma sequência de lesões e precipitado o fim precoce da sua carreira, que resultou em mais de um milhão de dólares em perdas de salários e indemnizações.
Ela assinou em 2022 um contrato com a Puma, amplamente divulgado, como sendo de cerca de dois milhões de dólares. No mesmo verão em que assinou o contrato, ela integrou as equipes nacionais de estafetas que conquistaram a medalha de ouro nas provas 4×100 m e 4×400 m no Campeonato Mundial em Eugene. Depois em 2023, ela começou a ter muitos problemas com os pés.
Ela passou desde então, por pelo menos três procedimentos, incluindo uma dupla cirurgia de Haglund e uma reparação no tendão de Aquiles. Ela não compete desde as seletivas olímpicas norte- americanas de 2024, onde terminou em sexto lugar nos 200 m e não conseguiu classificar-se para a equipa.
A queixa de Abby Steiner destaca três modelos da Puma: o Deviate Nitro Elite 2, o Deviate Nitro Elite 3 e o Evo Speed Tokyo Nitro. Os seus advogados argumentam que as placas de fibra de carbono e a espuma nitro dentro desses sapatos “alteraram a mecânica do pé e do tornozelo durante a corrida” e impuseram um stress extra nos seus pés.

Essa tecnologia é a premissa fundamental do moderno sapato de corrida. Desde que a Nike lançou o primeiro Vaporfly, todas as grandes marcas têm procurado a mesma fórmula: placa de carbono rígida combinada com espuma alta e elástica, e a linha Nitro da Puma é a resposta da empresa a isso.
Abby Steiner argumenta agora que a mesma engenharia que a tornou mais rápida também a prejudicou.
O processo também inclui a Mercedes-Benz Grand Prix, empresa-mãe da equipa Mercedes da Fórmula 1, porque a divisão de desempenho da Mercedes ajudou a projetar os ditos sapatos. A Puma e a Mercedes têm uma parceria de longa data, e os engenheiros da equipa de F1 já foram envolvidos em diversos projetos fora do automobilismo, incluindo sapatos. A queixa alega que a Puma sabia que os produtos eram defeituosos, comercializou-os como seguros e nunca os inspecionou adequadamente.
Abby Steiner quer uma indemnização por danos materiais e morais, incluindo despesas médicas, perda de rendimentos da carreira, considerando ter tido “perda da plena qualidade de vida e desfiguração”.
A parte mais complicada do caso é o momento em que os factos ocorreram. Abby Steiner lesionou-se anos antes de entrar com o processo, e qualquer defesa vai basear-se nisso. A sua queixa tenta contornar a questão argumentando que ela “só recentemente” associou as lesões aos próprios sapatos.
“A autora não sabia, nem poderia ou deveria razoavelmente saber, que havia sido prejudicada ou poderia ter sido prejudicada pelas condutas dos réus”, afirma o processo, de acordo com o Front Office Sports.
Abby Steiner deixou de correr no ano passado e atualmente está a tirar o mestrado em ciências do exercício na Universidade da Carolina do Sul.

