Strava, a rede social que move aventuras

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Simon Klima, diretor de marketing da empresa, fala sobre como os desportistas aderiram a esse canal de comunicação

O Strava é a rede social mais bem-sucedida para atletas. Em funcionamento desde 2009, tem milhões de utilizadores em todo o mundo, especialmente corredores, ciclistas e triatletas, mas os fundadores afirmam que é para qualquer desportista que queira esforçar-se. Na rede,  podem ser encontrados desde atletas de elite como Kilian Jornet a praticantes de fim de semana, todos conectados. O seu segredo está no facto de que sabe incentivar os utilizadores e estes conectam-se tanto à atividade como à rede. O Strava transformou-se não só num mero site de contatos, mas numa ferramenta que a muitos já é quase imprescindível ao praticar uma modalidade desportiva. Simon Klima, diretor de técnicas de mercado e comunicação, revela os pontos essenciais desse aplicativo.

Como surgiu a ideia do Strava?

Mark Gainey e Michael Horvath, cofundadores do Strava, faziam parte da equipa de remo de Harvard, onde se tornaram amigos e aproveitavam a competição amistosa que ajudava a melhorar a técnica. Depois de deixarem Harvard, quiseram recriar o espírito de companheirismo e camaradagem da equipa de remo. Queriam tornar as suas corridas e sessões de bicicleta mais potentes, e perceberam que a sensação de competição amistosa era o que mais os motivava. Perceberam que nenhum aplicativo utilizava a informação dos GPS para conseguir essa experiência. Queriam construir algo que pudessem compartilhar com os amigos para se conectarem e comparar corridas. Esse foi o ponto de partida. A sua própria necessidade criada durante os seus anos de universidade na equipa de remo.

Correr e andar de bicicleta é muito divertido, mas às vezes pode ser difícil. Por isso, estamos sempre  dispostos a apoiarmo-nos uns aos outros

O Facebook também foi criado por um estudante de Harvard. É uma coincidência?

É uma mera coincidência. Mas é fascinante notar como os fundadores de redes sociais para atletas e do Facebook estudavam na mesma faculdade. Sem dúvida que Harvard é um bom lugar para empreendedores.

Porque é que o Strava é somente para corredores e ciclistas? O que acontece com os surfistas e os canoístas?

De maneira nenhuma! O Strava é para qualquer pessoa que se esforce, que lute, não importa que desporto pratique.

Como pode o Strava ajudar um principiante num desporto? E um profissional?

O Strava é um excelente site para atletas, não importa o nível. Pode encontrar profissionais, guerreiros de fim de semana e desportistas eventuais. O que importa é a camaradagem, a comunidade e a motivação. Essas são coisas que repercutem e chegam a si, não importa o seu nível.

O que é um Kudo?

Os desportistas do Strava não dão “like” nas atividades dos outros, mas sim kudos. Dar kudos significa honrar o esforço, elogiar e mostrar respeito. Correr e andar de bicicleta é muito divertido, mas às vezes pode ser difícil. Por isso, estamos sempre dispostos a apoiarmo-nos uns aos outros. Pode parecer que kudo seja uma distinção súbtil, mas para nós faz diferença.

O que posso aprender seguindo alguém no Strava?

Seguir pessoas no Strava permite que construa uma rede motivadora e de ajuda. Irá inspirá-lo pelas atividades dos seus contatos e descobrirá espaços fantásticos a explorar. Além disso, é possível aprender com as suas rotinas de treino e selecionar alguns truques.

Se eu quiser manter em segredo o meu treino e o meu percurso, posso fazê-lo?

Sem dúvida, o Strava leva a privacidade muito a sério, e permite que os utilizadores mantenham as suas atividades e até mesmo o seu perfil ocultos. Mas isso é desperdiçar o grande potencial do Strava, o divertido é compartilhar.

Os números na Espanha em 2016

Corrida

O aplicativo registrou 4,5 milhões de atividades.

O dia mais ativo foi 20 de Setembro, uma terça-feira.

Os homens percorreram em média 9,8 km por atividade, as mulheres, 7,6 km.

A cidade mais ativa foi Barcelona com 850.000 atividades, seguida por Madrid e Valência.

Foram relatadas na Internet 29.636 maratonas.

Ciclismo

Foram registrados 9,2 milhões de atividades, nas quais foram percorridos 461 milhões de km.

O dia mais ativo foi 10 de Outubro, uma segunda-feira.

Os homens percorreram uma média de 53 km, e as mulheres, 49 km.

A cidade mais ativa também foi Barcelona com 1,4 milhão de atividades, seguida por Madrid e as ilhas Baleares.

O desafio April Distance Challenge foi o mais popular, com 16.740 ciclistas inscritos.

Qual é o melhor wearable para se usar o Strava?

No Strava, trabalhamos em conjunto com os fabricantes para nos assegurar de que o seu hardware é compatível com o programa. Existe uma grande quantidade de equipamentos eletrónicos para se usar com o sistema operacional Android e IOS. Qualquer um da Android Wear 2.0 e Apple Watch Series 2, é fantástico.

Alguns corredores queixam-se de que o Strava está acabando com o prazer de se correr sozinho.

Até mesmo para as pessoas que gostam de correr sozinhas, o Strava pode ser uma boa experiência. Claro, cada um é diferente e encontra uma forma particular de aproveitar o Strava.

Li num artigo que existem pessoas que utilizam o Strava para encontrar “o amor”. A empresa tem dados sobre isso?

A verdade é que ocorreram algumas propostas amorosas no Strava. Alguns de nossos membros são muito criativos e românticos!

O Strava está mudando a maneira como os ciclistas pedalam? Eles tornam-se mais competitivos?

Os ciclistas beneficiam de muitas formas, o espírito e a motivação que se respira na rede, estimula-os a pedalar com mais frequência. Além disso, acho pessoalmente que os ciclistas tornam-se mais aventureiros e atrevem-se a descobrir novos lugares para andar.

Tem algum conselho para tirar mais proveito do aplicativo?

Siga a maior quantidade possível de pessoas. O Strava é mais divertido com amigos.

As seis funções para tirar o máximo proveito do Strava

 1) Análise de variáveis: velocidade, ritmo, distância, rota para ver a progressão etc… Se não sabe de onde vem, não sabe para onde vai; utilize-as para rentabilizar cada atividade.

2) Desafios. É uma das coisas mais divertidas do Strava. Agora por exemplo, está acontecendo o Mt. Everest Climbing Challenge, que desafia a escalar 8.489 metros. Acabo de aderir e sou o último dos 111.558 inscritos.

3) Novas rotas e aventuras. É fantástico descobrir rotas e aventuras que estão ao seu lado e que não sabia que existiam. Algo que agrada em cheio são os segmentos, trechos populares onde os utilizadores tentam melhorar. Por exemplo, perto de casa tenho a rampa da arena de touradas, de 300 metros e 13 metros de altura, com um desnível de 3,3%. O seu recorde é de 1m12s. Nem vou tentar batê-lo, mas procurarei outros trechos.

4) Kudos. São as “curtidas” do Strava. Os amigos podem ldar-lhe tapinhas nas costas virtuais pelas suas atividades. Acho um dos recursos mais fraquinhos, pois não vejo incentivo em sair para correr para que depois venham parabenizar-me na Internet, mas os criadores do Strava garantem que essa é uma das chaves para se viciar no desporto. Então, se funciona… O ciclista Greg Van Avermaet recebeu no ano passado mais de 15.000 kudos por compartilhar a sua atividade quando ganhou uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Quem sabe se esses 15.000 o estimulam a ganhar futuras edições dos Jogos Olímpicos?

5) Clubes com interesses similares. É um dos meus recursos preferidos, sobretudo se, por questões de horário e localização. Não consegue sair na companhia dos seus amigos, então aqui pode encontrar companhia para quase tudo (que seja legal, claro).

6) Beacon, localização instantânea. É a função pela qual até cinco pessoas pode saber onde está a qualquer momento durante as suas atividades. No meu caso, que sou propenso a acidentes, é a que mais me atrai.

 

 

 

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