Tsanko Arnaudov, nomeado ao Prémio Atleta do Ano – Revista Atletismo

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Um recordista surpresa

Ao bater o recorde nacional de Marco Fortes, progredindo mais de um metro (1,19 m) de uma só vez e culminando uma progressão de mais de dois metros (2,26 m) desde o final da época anterior, Tsanko Arnaudov tornou-se a grande sensação do início da época de 2015. O atleta de 23 anos, búlgaro de nascimento, que acompanhou os pais, emigrantes, quando tinha 12 anos e se naturalizou aos 18, tornava-se, oficialmente, o sucessor de Marco Fortes na lista de recordes nacionais, à semelhança, aliás, do verificado um ano antes, quando bateu (também por 4 centímetros!) o recorde sub’23, que Marco, dez anos mais velho, detinha desde 2002.

Tsanko começou por praticar corrida na URCA – União Recreativa e Cultural da Abrunheira, chegando a ter boas classificações (10 primeiros) nas provas de iniciados e juvenis da Corrida das Localidades, do concelho de Oeiras. “Vi pessoas a correr, juntei-me a elas e comecei a treinar também. Foi bom pois ajudaram-me a aprender a falar português”, contou ele à Revista Atletismo, em março de 2011, quando foi eleito Revelação do Mês. Num só ano de atletismo, chegara aos 17,46 com o peso de 6 kg.

Um acaso tornara-o lançador de peso, Um dia, no Estádio Nacional, numa sessão de entrega de prémios da Corrida das Localidades, houve uma prova aberta. Lançou também e chegou aos 12 metros. Começou a treinar lançamentos mas, três meses depois, o seu treinador teve que abandonar e Tsanko voltou às corridas. Até que deram o contacto de Elisa Costa (antiga recordista nacional do disco) ao pai de Tsanko. Este, entretanto, perdera a vontade de lançar mas o pai, em boa hora, obrigou-o. “Ainda bem que o fez. Quando voltei a lançar, senti que era isso mesmo que eu queria”, recorda o atleta, que entretanto se lesionou e teve que ser operado ao menisco interno do joelho esquerdo, só regressando em Setembro de 2009, federando-se então pelo Benfica.

Júnior de 1ª época, Tsanko começou logo a dar nas vistas, sendo segundo nos Nacionais de Juniores de pista coberta e ar livre e atingindo as marcas de 16,98 (peso de 6 kg) e 15,34 (de 7,26 kg). Progrediu para 18,85 (6 kg) e 17,18 (7,26 kg) em 2012, mas ficou aquém das suas expetativas no Europeu de Juniores (17º com 17,66). Entretanto, passou os 18 metros em 2013 e bateu o recorde nacional sub’23 em 2014, com 18,80.

Em março de 2014, havia mudado de treinador, passando a ser orientado pelo ucraniano Vladimir Zinchenko, durante muitos anos o treinador de Marco Fortes. Em 2015, chegou aos 19,00 e 19,19 em pista coberta (derrotando Marco Fortes, regressado de uma intervenção cirúrgica, no Campeonato de Portugal) e aos 19,87 na abertura da época de ar livre, em maio. Uma semana depois, numa simples prova de preparação, na pista da Alta do Lumiar, abriu o concurso com 20,15 (mais um recorde pessoal) e chegou a inesperadíssimos (até para ele…) 21,06 no segundo ensaio.

O resto da época ficou muito marcado pela pressão que este recorde lhe criou. Ainda conseguiu 20,41 e 20,17 mas, depois, ficou sempre longe do seu melhor e desiludiu no Mundial de Pequim (18,85). Tornar-se consistente acima dos 20 metros era a aposta para 2016. No inverno, conseguiu-o uma vez, com 20,22 em pista coberta. Mas a principal proeza foi o 2º lugar na Taça da Europa, na Roménia, em março, com 19,85. No verão, brilhou a grande altura ao ser 3º no Campeonato da Europa, com 20,59, a sua segunda marca de sempre. Conseguira 20,42 na qualificação, outra das cinco marcas a 20,00 ou mais que obteve esta época. Muito negativa a sua estreia olímpica: foi apenas 29º na qualificação, com 18,88.

Entretanto, no disco, a que se dedica como variante, Tsanko Arnaudov, que mede 1,98 m e pesa 146 kg, passou os 50 metros (50,04) em 2012 (campeão nacional), chegou aos 51,78 em 2014 e melhorou para 54,87 em 2015 e para 55,47 em 2016. O seu treinador aposta nele como futuro recordista nacional, também nesta especialidade…

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