Um atletismo desequilibrado… à imagem do País

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  • Em 2018, metade (11) das Associações Regionais tiveram 81,3% dos atletas e 76% dos clubes federados. E ganharam 97,6% das medalhas em campeonatos nacionais. O Sporting ultrapassou o Benfica (que liderava desde 2011) em número de medalhas conquistadas.

Tal como o País (ou como reflexo dele…), o atletismo nacional é muito desequilibrado entre o litoral e o interior, entre os grandes e pequenos centros, entre os grandes e pequenos clubes. Com base nos muito completos dados fornecidos pelo relatório de contas de 2018 da Federação Portuguesa de Atletismo (ver: https://www.fpatletismo.pt/sites/default/files/Relat%C3%B3rio%20de%20Actividades%20e%20Contas%20FPA%202018vf.pdf), é possível confirmar isso mesmo. Já aqui referimos o número de atletas e clubes filiados em cada uma das 22 associações regionais (ver: https://revistaatletismo.com/20579-2/). Verifica-se que 11 das 22 associações regionais têm mais de 800 atletas filiados, somando mais de 80 por cento (81,3%) do total de 18.147 inscritos. E que as 11 associações com 20 ou mais clubes somam 76 por cento dos 581 clubes filiados na Federação, contra apenas 24 por cento das outras onze.

Hoje, basear-nos-emos nos dados sobre os 13 campeonatos nacionais disputados em 2018, ao ar livre (Camp. Portugal, sub’23, juniores, juvenis e clubes), pista coberta (idem), corta-mato, marcha (estrada) e lançamentos (inverno) apresentados na referida publicação (a Federação não considerou os campeonatos nacionais de estrada e de montanha).

Nesses 13 campeonatos, registou-se um total de 5.696 participantes, sendo os mais concorridos os campeonatos nacionais de clubes de ar livre (1.174) e pista coberta (876), seguindo-se o Nacional de corta-mato (741). Nos Nacionais dos vários escalões, os mais participados foram os de juniores (408 ao ar livre e 403 em pista coberta).

Desse total de 5.696 participantes nos 13 campeonatos, 1.354 foram da Associação de Lisboa (quase 24%), 760 da do Porto e 534 da de Aveiro. Nada menos de 10 associações (as três dos Açores e mais seis do interior, além de Viana do Castelo) não chegaram a 100 participantes, havendo três casos extremos: Faial (apenas um total de 5 presenças nos campeonatos), Vila Real (4) e Bragança, totalmente ausente das competições nacionais!

A nível de clubes, a soma de participantes atingiu os 968, neste caso com a Associação do Porto a reunir o maior número (135), à frente de Lisboa (105), e Aveiro e Setúbal (96 cada).

Pela primeira vez desde 2010, o Sporting foi o clube com mais atletas presentes nos Campeonatos Nacionais (563), ultrapassando o Benfica (469), que chegou a ter larga vantagem em alguns dos últimos anos. A Juventude Vidigalense, que em 2006, 2007 e 2009 teve mais participantes que os dois “grandes” de Lisboa, foi terceira em 2018, com 305 atletas. Seguem-se o SC Braga (215) e o Maia AC (174), este em grande subida, já que há dez anos não chegava a ter 20 participantes nos Nacionais. De entre os clubes com mais de 100 presenças, destaque ainda para as grandes subidas do CO Pechão (133), CF Oliveira do Douro (131) e Casa do Benfica de Faro (102), clubes que há poucos anos ainda não chegavam à dezena de presenças (COP em 2009 e antes, os dois outros em 2013 e antes).

As diferenças entre as associações mais e menos desenvolvidas, agrava-se se considerarmos a qualidade, através das presenças nos pódios. Os clubes de Lisboa somam 587, ou seja, quase metade (49,2%) das 1.194 medalhas atribuídas. Seguem- se Leiria (121), Porto (86) e Madeira (83), havendo onze associações com menos de 10 presenças nos pódios nacionais: S. Miguel (8), Terceira (7), Évora (5), V. Castelo (4), C. Branco (3), Viseu e Beja (1) e Bragança, Vila Real, Portalegre e Faial (0). Ou seja, as três dos Açores e sete do interior (mais uma vez Guarda é a grande exceção), para além de Viana do Castelo. Estas 11 associações (metade do total) somam apenas 29 medalhas entre as 1.194 atribuídas em 2018 nos campeonatos nacionais, ou seja… 2,4 por cento. As restantes 11 receberam 97,6 por cento! Desde 2005 (já lá vão 14 anos), os atletas de Portalegre apenas conseguiram três medalhas e os de Bragança e Vila Real apenas uma!

Em termos clubísticos, o Benfica liderava desde 2011 mas foi em 2018 ultrapassado pelo Sporting, que conquistou 289 medalhas, contra 238 do Benfica. Seguem-se a J. Vidigalense (100), SC Braga (82), GD Estreito (43) e CO Pechão (36). Nos campeonatos coletivos (72, não considerando as II e III Divisões, que deveriam estar fora da lista federativa, pois ficam aquém de todos os clubes da I Divisão), o Sporting somou 21 presenças nos pódios, contra 20 do Benfica e 11 da J. Vidigalense e SC Braga.

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