Nelson Évora, nomeado ao Prémio Atleta do Ano – Revista Atletismo

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Menino de África, campeão na Ásia
Filho de cabo-verdianos, Nelson Évora nasceu na Costa do Marfim, onde o pai trabalhava na altura como contra-mestre. Chegou a Portugal aos seis anos e conheceu então (eram vizinhos) o filho do seu treinador de sempre, o antigo atleta João Ganço. Com ele começou a entrar em provas de estrada em Odivelas, onde ambos viviam. Ganço formou pouco depois um Centro de Treino na Escola Secundária da Ramada e o jovem Nelson passou a frequentá-lo. Aos 11 anos já saltava 1,64 em altura e aos 12 ingressou no Benfica. Começou a ganhar todas as provas dos escalões jovens, embora, devido a um problema num joelho, tivesse que abandonar a especialidade de que mais gostava, o salto em altura, na qual chegou a passar 1,98 como iniciado.

Aos 17 anos, como juvenil, atingia marcas de nível mundial para o seu escalão:(7,55 no comprimento, 16,15 no triplo, mais de 30 centímetros e de metro e meio, respetivamente, acima dos recordes nacionais de juvenis. Mas continuava a não poder representar Portugal. Até que, em 2001, a Federação conseguiu que fosse admitido nas Jornadas Olímpicas da Juventude Europeia, um autêntico Campeonato da Europa de Juvenis. Ganhou o salto em comprimento.

A naturalização chegou, finalmente, em 2002, ano em que foi sexto no Mundial de Juniores (triplo) e bateu o recorde nacional júnior do comprimento, com 7,66. No ano seguinte, sagrou-se campeão europeu de juniores (comprimento e triplo) e chegou aos 7,83 e 16,43. E, em 2004, com apenas 20 anos, foi aos Jogos Olímpicos de Atenas. Regressara entretanto ao Benfica, depois de dois anos (os de júnior) como atleta do FC Porto, clube para o qual se transferira na sequência das dificuldades por que passou o atletismo no Benfica.

Em 2005, ganhou a medalha de bronze no Europeu de sub-23 e ficou a escassos seis centímetros da final do Mundial de Helsínquia. 2006 foi um grande ano: no triplo, sendo o mais novo dos finalistas, foi sexto no Mundial de pista coberta e quarto no Europeu de ar livre; no comprimento, foi sexto nesta última competição. E tornou-se recordista nacional do triplo, já acima dos 17 metros (17,19 em pista coberta, 17,23 ao ar livre), sucedendo a Carlos Calado.

Depois, foram os feitos que o tornaram mundialmente conhecido: título mundial do triplo em Osaca’2007 (chegando a 17,74), título olímpico em Pequim’2008 (com apenas 24 anos de idade…), medalha de prata no Mundial de Berlim’2009.

O ano de 2010 foi de pausa competitiva, devido a uma fratura de esforço na tíbia, à qual foi operado em Fevereiro. Regressou, a meio-gás, no Campeonato de Portugal, em Julho, ganhando, com 16,36. No inverno seguinte, chegou a 16,69 em pita coberta mas lesionou-se no calcanhar num meeting em Estocolmo e só regressou em Junho. Mas ainda a tempo de fazer o mínimo para o Mundial de Deagu, onde seria 5º com 17,35, depois de se sagrar pela segunda vez campeão mundial universitário, com 17,31 em Shenzhen, na China.

O ano de 2012, no entanto, começou da pior forma para Nelson Évora, que fez nova fratura na tíbia direita no aquecimento para uma prova de triplo que iria abrir a época. Ficou desde logo descartada a hipótese de defender o seu título olímpico em Londres’2012. Regressou apenas em Maio de 2013 mas, com alguns problemas físicos pelo meio, ficou-se pelos 16,68 nessa época, aquém dos mínimos para o Mundial de Moscovo.

2014 não começou melhor. Uma lesão no joelho direito determinou a realização de uma astroscopia logo no início do ano, com a consequente ausência, uma vez mais, nas provas da época de pista coberta. Recuperou bem na época de ar livre, chegando aos 16,95 em Junho e prometendo os 17 metros. Ficou a 3 cm no Meeting de Paris da Liga de Diamante e depois foi 6º no Europeu de Zurique, com 16,78. Já soube a pouco…

Finalmente, o regresso aos títulos e às medalhas deu-se em 2015, ano sem problemas físicos a limitá-lo. No inverno, superando as expetativas, voltou a passar (e várias vezes) os 17 metros e chegou ao título europeu que lhe faltava, neste caso em pista coberta, com 17,21. No verão, voltou a estar em grande plano em Mundiais e… em Pequim, no mesmo estádio onde sete anos antes se sagrara campeão olímpico: depois do ouro do Mundial de 2007 e da prata de 2009, a medalha de bronze, conseguida com um último ensaio a 17,52, a sua sexta marca de sempre.

Nelson Évora voltou à alta-roda do atletismo mundial e, aos 33 anos, foi aos Jogos do Rio’2016 tentando repetir Pequim’2008. Terminou em 6ºlugar na final de triplo de salto nos jogos e após de voltar do Brasil passou a treinar com Ivan Cubano e trocou o SL Benfica pelo Sporting, após 12 anos no clube da luz.

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