Fadiga muscular: um problema que pode ser evitado

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Quem já não experimentou aquela sensação de fraqueza, dor e cansaço extremos após um treino mais puxado? Há grandes hipóteses de ser fadiga muscular. O músculo esquelético possui a capacidade de produzir elevados níveis de energia que geram resistência, força e potência. Uma incapacidade de manter essa produção de energia designa-se por fadiga neuromuscular, fenómeno que pode manifestar-se de forma aguda, ou seja, durante o treino; ou cronicamente, como uma espécie de overtraining.

Apesar de ser mais comum entre atletas profissionais, a fadiga muscular pode acontecer com qualquer um que se submeta com frequência a um esforço maior que a sua capacidade, podendo, inclusive, prejudicar articulações e sobrecarregar outras partes do corpo, caso o problema seja negligenciado.

Os tipos de fadiga muscular

Embora a fadiga muscular venha sendo estudada há mais de um século, ainda existem dúvidas em relação ao assunto. O que já foi comprovado é que a complicação pode manifestar-se de duas formas durante o treino, como fadiga central ou fadiga periférica. A fadiga central pode provir de uma ou mais estruturas nervosas envolvidas na produção ou manutenção do controle da contração muscular, relacionados aos processos de formulação do padrão motor (envolvendo o córtex cerebral, cerebelo e junções sinápticas) e pode acontecer em atividades de longa duração como a corrida, o ciclismo, triatlo e maratona aquática.

A fadiga tem uma relação com a variação das concentrações de glicose sanguínea, de aminoácidos de cadeia ramificada (conhecidos como BCAA) e da síntese de alguns neurotransmissores. Tal, valida a importância do consumo de carbohidratos antes e durante os treinos, de uma ingestão adequada de proteínas e aminoácidos durante o dia e de uma alimentação variada.

Já a fadiga periférica é aquela que tem as suas causas no músculo esquelético. Geralmente acontece devido a uma falha ou limitação de um ou mais processos na unidade motora, isto é, nos neurónios motores, nervos periféricos, nas ligações neuromusculares ou fibras musculares.

Em exercícios prolongados, a fadiga periférica tem uma relação direta com outros mecanismos, como a redução nas concentrações de cálcio no músculo que comprometem a tensão gerada pelas fibras musculares, a perda de glicogénio, o desequilíbrio hídrico e eletrolítico e a elevação da temperatura corporal.

 Fadiga acumulada

Muita gente acha que fazer o day off é perda de tempo, quando na verdade o descanso é importantíssimo para evoluir na corrida ou noutra modalidade. Quem vai além do sugerido nos treinos, pode sentir que não consegue evoluir e obviamente desenvolve a fadiga muscular. Uma solução é alternar os treinos de intensidade com treinos regenerativos e, após os treinos longos, só realizar um treino mais intenso após 72 horas. Há, ainda, fatores emocionais que podem influenciar o desempenho e a fadiga. Por isso, não hesite em respeitar o descanso.

Fadiga muscular x temperatura

 Convém lembrar que em ambientes quentes e húmidos, a necessidade de água, sais minerais e carbohidratos pode aumentar, pois a perda hídrica e de sais aumentam, já que o corpo faz a tentativa de manter uma temperatura corporal adequada. Por isso, deve-se evitar treinar nos períodos mais quentes do dia.

Hidrate-se e coma bem

É importante iniciar o exercício bem hidratado, nutrido e com boa reserva de glicogénio muscular (carbohidratos stocados no músculo). Nesse sentido, pode-se recorrer a um nutricionista desportivo para ajustar a alimentação baseada nos seus objetivos e metas. 

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